Segunda-feira, Maio 23, 2005
Vou mergulhar no mato, conversar com as árvores, brincar com o vento, decifrar nuvens,
me embriagar de Sol, tomar banho de Lua e ouvir estrelas. Me deixar embalar no colo da
Mãe Terra e me nutrir com sua energia. Até outro dia...
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Terça-feira, Maio 17, 2005
Mais uma vez o tempo me assusta.
Passa afobado pelo meu dia,
atropela minha hora,
despreza minha agenda.
Corre prepotente
a disputar lugar com a ventania.
O tempo envelhece e não se emenda.
Deveria haver algum decreto
que obrigasse o tempo a desacelerar
e a respeitar meu projeto.
Só assim daria conta
dos livros que vão se empilhando,
das melodias que estão me aguardando,
das saudades que venho sentindo,
das verdades que ando mentindo,
das promessas que venho esquecendo,
dos impulsos que sigo contendo,
dos prazeres que chegam, partindo,
dos receios que partem, voltando.
Agora que redijo a página final,
percebo o tanto de caminho percorrido
nesse ano que vai se retirando.
Apesar do tempo e sua pressa desleal,
agradeço a D'us por ter vivido,
amanhecer, e continuar teimando.
Flora Figueiredo
Dia de celebrar e agradecer pela graça, pela benção, pelo milagre da vida!
Sê bem-vindo novo ciclo!
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Terça-feira, Maio 10, 2005
D'us é nosso refúgio e nossa força,
socorro que não falta em tempos de aflição.
Por isso, não teremos medo, ainda que a terra seja abalada,
e as montanhas caiam nas profundezas do oceano.
Salmo 46:1-2
................
Ainda que sejamos obrigados a transitar pelo vale sombrio da incerteza, nos foi dada uma clara evidência daquilo que nossos olhos físicos não poderiam enxergar: a fé. A fé é o combustível com que se alimentam os sonhos e esperanças fazendo com que a alma arda de vontade de experimentar a verdade que a liberta. A fé é a clara evidência de tudo que não se pode renegar, ainda que a lógica dos acontecimentos não possa confirmar.
Os milagres são reais, mas só acontecem com quem acredita neles, porque a fé é a base dos milagres, ela é o poder que une o mundo material com o invisível, que é mais real do que o material.
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Sexta-feira, Maio 06, 2005
"Vida de Mãe"
Mães se desdobram sem parar e, às vezes, se flagram desempenhando, em um único dia, atividades tão variadas como as de:
. motorista particular;
. superintendente de abastecimento do freezer;
. fornecedora de ombro-de-apoio;
. transformadora de gêneros alimentícios in natura (ou in gelum) em fumegantes refeições nutritivas;
. planejadora de cardápios (em resposta à perene questão: "O que iremos comer amanhã?");
. consultora para assuntos de lição de casa;
. mediadora em conflitos interfilhos de diferentes calibres;
. piloto-à-distância (quando, via telefone do escritório ou celular, a mãe trata de ajeitar o rumo da embarcação doméstica);
. bombeiro-à-distância (quando, idem, a mãe tem de apagar 'incêndios' domésticos de diferentes proporções);
. controladora de vôo (de filhos em início de 'batimento de asas');
. fiscal de recolhimento de RLLI (roupas largadas em locais indevidos);
. despachante (quando a mãe recolhe todos os pares de tênis largados pela casa e os despacha para locais apropriados, ao ar livre),
. etc., etc., etc.
Puro malabarismo!
A mãe pode até não saber a definição científica de 'cumulus nimbus', mas tem a maior habilidade em identificar calmarias, detectar nuvens carregadas e amansar tempestades -- sejam elas 'em copo d'água' ou do tipo 'arranca-toco'.
Uma frente fria na cozinha -- No sábado de manhã a mãe é acordada pelos trovões de uma briga interfilhos. À medida em que sintoniza a imagem do satélite da memória, relembra o excesso de nebulosidade e as chuvas isoladas presentes na atmosfera doméstica nos últimos meses. "Mais uma frente fria..." -- suspira, ao ouvir, entre ruídos de tapas e safanões, as velhas (publicáveis) palavras de sempre: "Trouxa! Idiota! Anta...!
Sem nem colocar uma capa de chuva, a mãe avança intrépida pelo corredor, decidida a impedir que se agravem aquelas descargas elétricas. Ao chegar à cozinha, constata que o fenômeno não passa de uma tempestade 'em copo d'água'; pura manifestação do 'eu sou mais eu' da auto-afirmação adolescente. Nada que várias mudanças de lua, muita paciência e muita conversa não resolvam. (...)
Surfista -- A mãe pode não sair por aí carregando uma prancha de surfe debaixo do braço ou usando a indumentária característica , mas vive praticando manobras radicais de dar inveja aos mais arrojados adeptos do esporte.
Como diz o poeta Lulu Santos, 'a vida vem em ondas, como o mar'. A mãe, que não dorme de pé-de-pato, sabe que as ondas da vida do filho virão, todas virão, e sabe-se lá de que tamanho. Ela torce para que venha uma por vez e cada uma a seu tempo, mas trata de se antecipar: vai preparando cuidadosamente a prancha da razão com a parafina das leituras, das reflexões, da troca de informações com o parceiro e com outras mães mais experientes, etc. Mas como mãe é mãe, a toda hora se flagra batendo a prancha da razão contra a crista dos próprios sentimentos, voando para fora d'água com prancha e tudo, ou 'tomando o maior caldo' -- às vezes diante de uma simples marolinha.
A primeira despedida -- Mãe nenhuma desliza indiferente sobre o momento crucial em que, pela primeira vez, tem de deixar o filhos aos cuidados de alguém que não seja um perfeito clone dela mesma.
O filho já está com dois anos, a mãe sempre acreditou que crianças precisam conviver com crianças e, além disso, quer voltar a trabalhar ou ter algum tempo para si mesma. O mar está favorável , a mãe bota a prancha da decisão na água e vai deslizando, segura: faz a matrícula, prepara os materiais; vai contando para o filho como é divertido ir à escola, como ele vai adorar ter uma porção de amigos, ficar o tempo todo desenhando, brincando, etc.
No dia 'D', no instante de deixar a criança no tão maravilhoso local, a mãe hesita, trava, pergunta se o filho está contente, lembra de mais três recomendações importantes, bate o olho na professorinha quase adolescente que o espera,"Em casa ele estava tão seguro...", pergunta se ele está mesmo contente... Então volta a sentir a prancha sob os pés, beija e libera a criança, que corre feliz ao encontro da grande novidade. E quando a visão do pequeno calouro já está suficientemente protegida pela distância, a mãe 'toma outro caldo': quase naufraga no choro convulsivo, irrefreável -- "Ele ainda é tão novinho...". (...)
A barreira do som -- Preocupada com a quase completa submersão dos filhos no som do walkman, a mãe,sobe na prancha, tenta convencê-los a ser mais sociáveis, a convidar amigos para bater papo, 'trocar idéias', essas coisas (de mãe).
No dia seguinte, ela volta do trabalho e exulta ao notar que seus planos funcionaram: pelo som que ouve do hall do elevador, a casa está cheia de jovens! Então nota que esqueceu a chave, toca a campainha por 15 minutos, e nada... Sem muita esperança, decide tentar contato com os filhos, através do celular. Aleluia! 'Júnior! Abra essa porta! Faz meia hora que eu estou tocando a campainha!'. Do outro da linha, emoldurada pelo som monumental de um rock pauleira, a voz do Júnior: 'O que?? Mãe?? Não está dando pra ouvir nada!! Liga daqui a uma hora, tá?'.
Um caldo na madrugada -- Desde cedo a mãe conversa francamente com os filhos sobre sexo, camisinha, prevenção da gravidez precoce, aids, etc.,etc. Vive orientando-os para que não tenham pressa, que esperem o momento certo, que aguardem estar psicológicamente amadurecidos para a primeira transa, para que então seja tudo muito bom, inesquecivelmente maravilhoso... e seguro.
Um dia, ao ouvir o ruído de chaves no silêncio da madrugada, a mãe levanta, vai até a sala, acende a luz e... como previra o seu sexto sentido, vê a sua criança de 18 anos (na melhor das hipóteses) com os cabelos molhados, sorrindo, em alfa. "Mãe, foi maravilhoso!"... Emocionada, a mãe abraça longa e carinhosamente a filha, pergunta se ela está feliz, se está mesmo feliz e...sem conseguir esperar que a 'caloura' desapareça no fim do corredor, despenca da prancha para um 'caldo federal': 'Ela ainda é tão novinha...'
A mãe pode nunca ter ido pegar ondas no Havaí, mas nada fica a dever, em coragem e versatilidade, aos mais arrojados surfistas.
Em parceria com o companheiro, como fazem os garotos do mar, ou na base da performance 'solo', a mãe solidariamente, vai enfrentando desde as marolinhas até as ondas gigantescas que a vida traz para os seus filhos, na tentativa de assegurar que eles naveguem seguros e confiantes na criação de seus próprios horizontes.
E daí que a mãe viva embicando a prancha da razão nas águas dos sentimentos? De tanto enfrentar as marés, ela sabe que a vida é movimento, e que aos momentos de alegria, plenitude e crescimento mútuos se alternam momentos de dúvidas, contradições e...crescimento mútuo. Primeiro regados a adrenalina, e só depois, a riso.
(Adaptado de um texto de Lô Galasso)
A despeito do forte apelo comercial, é justo se comemore o Dia das Mães, celebrando essa função cósmica, tão perfeita que é capaz de produzir, nutrir e dar à luz a uma nova existência. Elas nos vivificam com seu amor, porém, devem reconhecer o exato momento em que esse amor se torna excessivo ao ponto de sufocar a existência que com tanto cuidado foi colocada no mundo. É importante perceber que o excesso de amor é tão nefasto quanto a sua falta, dado que impede a necessária individualização. Felicidade a todas as mães, mas especialmente àquelas que dosam seu amor com sabedoria!
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
|
|
Powered by
Template obtido em
Joanie Madden
"The Immigrant"
Links
Aldeia
dos Anjos
Alma Indecente
Bambu Oco
Blue Shell
Brisa Poética
Caderno de Sonhos
Canis Lupus
Chandra
Clave de Lua II
Comunicação Transgressora
Diafragma
Docemaior
Ela nua é linda
Escudo do Leste
Garden of Eden
Lakota
Lua Nua
Marromeno
O Castelo de Thor
Olho de Odinn
Pensamentos da Brisa
Peregrino Aprendiz
Quero Acreditar
Revelações
Spicy Gal
Território Neutro
Todos os Sentidos
Viajante
Voz do Vento
Seja Solidário:

Arquivos
Principal
|