Segunda-feira, Dezembro 27, 2004



Quatro Estações

Durante o inverno sou sinistra.
Na primavera despisto.
Quando chega o verão
eu me dispo.
E no outono me pinto
de todas as cores do mundo.

Beth Fleury

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Quarta-feira, Dezembro 15, 2004



A Glória de Belém


Os dois maiores planetas do nosso sistema, Júpiter e Saturno, aproximavam-se lentamente, com a soberana majestade de astros de primeira grandeza, para unir-se em conjunção magnífica, como se esse assombroso himeneu sideral devessse repercutir neste outro himeneu do plano terrestre, entre a Divindade e a natureza humana, cujo fruto estava em gestação no seio de Myriam, a meiga mulher, harpa viva da Eterna Lei.

Júpiter e Saturno prosseguiam sua caminhada nupcial através dos espaços infinitos, tendo por cortesãos e espectadores os milhares de estrelas deste universo visível da Terra.

Corria o ano 747 da fundação de Roma, correspondente ao ano 8967 do início da Civilização Adâmica, únicas datas precisas e de possível comprovação que estamos capacitados a mencionar para orientação dos estudiosos.

Ambos os planetas se dirigiam para os domínios zodiacais de Peixes, signo este estreitamente vinculado, naquele tempo, aos destinos do grande povo seguidor de Moisés.

A Terra da Promissão, outorgada por ele à raça de Israel, entre o mar e o rio Jordão, parecia exercer estranha atração sobre os dois luminosos viajantes celestes, pressurosos para celebrarem seu imponente himeneu justamente no campo sideral que constituía patrimônio seu.

Os sábios e os estudiosos das grandes Fraternidades Ocultistas acompanhavam com estático olhar aquela grandiosa marcha estelar que, há séculos, sabiam estar destinada a marcar a hora precisa da aparição do Salvador sobre o planeta.

Aonde iriam unir-se os dois reluzentes viajantes? Em qual dos doze palácios zodiacais estaria a grandiosa câmara nupcial dos amantes celestes? Por isso é que o olhar dos sábios penetrava nos abismos do espaço, à procura da Grande Verdade!

-- Peixes!... -- gritaram todos à uma só voz, quando viram dar-se ali o abraço supremo, enquanto o solstício de inverno cobria de neve a Terra da Promissão vislumbrada por Moisés. De outra parte, no éter azul, o vermelho Marte corria também pressuroso até aquela constelação para cobrir, com a púrpura de seus véus flutuantes, o resplandecente himeneu de Júpiter e Saturno.

A reunião dos três planetas era a eterna clarinada que marcava a hora exata, precisa e inexorável, em que Jesus abria Seus olhos humanos à vista física sobre o globo terrestre para posterior imolação, que haveria de coroar Sua gloriosa e grande carreira de Messias-Instrutor da humanidade.

Das grandes Escolas de Divina Sabedoria, saíram em viagem peregrinos audazes para a Terra Bendita, onde acabara de nascer o filho de D'us, em carne humana.

Seis séculos antes, Isaías, um dos maiores videntes de Israel, havia cantado o seguinte verso ao som de sua harpa, cujas vibrações estremeciam as almas:

"E tu, Belém de Judá, és pequena em tamanho, porém grande entre as cidades de Israel, porque de ti nascerá o Salvador dos homens."

Naquela noite -- a sétima do solstício de inverno -- permaneciam muitos em vigília para contemplar o grandioso espetáculo anunciado pelos astrônomos assírios e caldeus, alguns dos quais temiam mesmo um cataclismo estelar que produzisse a desagregação de vários mundos, inclusive a Terra. Também velavam os pastores que, na simplicidade de seus costumes, dirigiam fervorosas preces à Jehová, suplicando-Lhe misericórdia. Os mais sensitivos dentre eles captaram a onda de harmonia divina, emanada das Grandes Inteligências que aprestavam a entrada de Jesus no plano físico: onda radiante de luz e de glória que vertia sobre o planeta, como uma cascata musical, o inolvidável cântico do Amor e da Paz:

"Glória a D'us no mais alto dos céus e paz na Terra aos homens de boa vontade!"







Do livro "Harpas Eternas", de Josefa Alvarez.

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Sábado, Dezembro 11, 2004



Sinceridade


A palavra sincera foi inventada pelos romanos. Eles fabricavam certos vasos de uma cera especial. Essa cera era, às vezes, tão pura e perfeita que os vasos se tornavam transparentes.

Em alguns casos, chegava-se a se distinguir um objeto, um colar, uma pulseira ou um dado, que estivesse colocado no interior do vaso.

Para o vaso assim, fino e límpido, dizia o romano vaidoso:

- Como é lindo !!! Parece até que não tem cera !!!

"Sine cera " queria dizer "sem cera", uma qualidade de vaso perfeito, finíssimo, delicado, que deixava ver através de suas paredes e da antiga cerâmica romana.

O vocábulo passou a ter um significado muito mais elevado. Sincero, é aquele que é franco, leal, verdadeiro, que não oculta, que não usa disfarces, malícias ou dissimulações.

O sincero, à semelhança do vaso, deixa ver através de suas palavras os nobres sentimentos de seu coração. Sincera é uma palavra doce e confiável, é uma palavra que acolhe... E essa é uma palavra que deveria estar no vocabulário de toda alma.

Malba Taham



Gestos e palavras devem tornar-se a mais clara tradução de nossos pensamentos. Não é fácil esse caminho, mas vale a pena tentá-lo, aproximando-se dessa transparência todos os dias, a todo momento. Isso se chama sinceridade, nada mais.

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Quinta-feira, Dezembro 09, 2004




Os ventos da graça sopram o tempo todo.
Você só precisa içar suas velas.


Ramakrishna

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Sábado, Dezembro 04, 2004



"Se você for poeta, vai ver que há uma nuvem pairando sobre essa folha de papel. Sem a nuvem não há chuva; sem a chuva, as árvores não podem crescer; sem as árvores, não podemos fazer papel. Se examinarmos o assunto um pouco mais a fundo, veremos na folha a luz do Sol, o lenhador que cortou a árvore, o trigo que se transformou em pão por ele comido, o pai e a mãe dele. Sem todas essas coisas, essa folha de papel não existiria. Na verdade, o cosmos inteirinho está nela -- o tempo, o espaço, a terra, a chuva, os minerais do solo, o Sol, a nuvem, o rio, o calor, a mente. Todas as coisas coexistem com essa folha de papel."


Extraído do livro "Paz a cada passo - como manter a mente desperta em seu dia-a-dia",
de Thich Nhat Hanh.

****


Não somos folhas de papel, porém, da mesma forma, trazemos dentro de nós um pouco de tudo e de todos que fizeram parte de nossa história. E isso pode ser um excelente exercício de gratidão. Tente isso: procure num momento tranqüilo lembrar-se de quantas noites alguém teve de cuidar de você quando ainda bebê, amparar-lhe quando ensaiava os primeiros passos e balbuciava as primeiras palavras. Procure lembrar-se de todo auxílio recebido na escola e, passará a verificar que parte de você também são os livros que leu, os amigos que teve ao longo da vida, as viagens que fez e até mesmo suas experiências menos felizes.

É uma prática que mexe com nossa emoção e ao final da lista (que jamais estará completa), provavelmente com o coração na boca e os olhos molhados, expressamos uma profunda gratidão por tudo que faz parte de nós. E assim, o nosso "eu" fica menor, mais simples e muito mais leve. Como uma nuvem.

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Quinta-feira, Dezembro 02, 2004



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