Sábado, Fevereiro 28, 2004
Nunca reclames o afeto dos que amas.
Se teu amor para com eles é sincero, tarde ou cedo penetrará
em seus corações e a resposta não se fará esperar.
Mas se for passageiro, é preferível que lhes evite a dor
de chegarem a saber um dia que teu amor se desvaneceu.
Jorge S. Arundale
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004
Abro uma antiga mala de velharias e lá encontro minha máscara de esgrima. Emocionante o momento em que púnhamos a máscara -- tela tão fina -- e nos enfrentávamos mascarados, sem feições. A túnica branca com o coração em relevo no lado esquerdo do peito,
"olha esse alvo sem defesa, menina, defenda esse alvo!"
-- advertia o professor e eu me confundia e o florete do adversário tocava reto no meu coração exposto.
Lygia Fagundes Telles
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Sábado, Fevereiro 21, 2004
Pousada do Ser
No tempo? No espaço?
Em nenhuma época -- senão de enfrentar --
Em lugar nenhum - senão de expandir.
Aqui tão certo como além -- no raio do instante --
Ontem hoje amanhã -- calendário pleno.
Pousada do ser
Contorno fluido
sem piso nem teto
sem recurso a esquadrias
na antemanhã do espírito
adquirindo e perdendo
doando e conservando
modelando e desprezando
seus materiais:
Inquietação na serenidade
humildade no orgulho
desprendimento no apego
desesperança na fé
expectativa na dúvida.
Feixe de unidades várias
pelo interminável prélio
de preparo versus preparo.
Pousada do ser
de construção a constrição
em demanda do mesmo Ser
Pátria para degredo
de não estar
Mandato interino
em vias de assumir investidura
denegada e anunciada
pelo embalo das ondas
pelo canto delatório dos pássaros
pelo testemunho do Sol
pela polpa do fruto
no dia exato da maturescência.
Henriqueta Lisboa
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Sexta-feira, Fevereiro 13, 2004
Uma rosa no espaço
Para comemorar o Valentine's Day (Dia dos Namorados) nos EUA, a Nasa divulgou ontem a imagem transmitida pelo telescópio Spitzer de um agrupamento de estrelas recém-nascidas numa nebulosa em forma de botão de rosa. Cálculos recentes apontam que há 130 jovens estrelas na nebulosa, que fica a 3.300 anos-luz, na constelação de Cepheus.
Que germine a semente
Cada um de nós é um pedaço de Universo, um canto de eternidade encarnada como ser humano. Somos feitos com a mesma matéria com que são feitas as estrelas e galáxias.
Fazemos parte parte da Natureza, a qual, como a todos os outros reinos, mineral, vegetal, animal, planetário e cósmico, nos informa com os mesmos dados que fazem um bando de aves dar um giro de 90 graus ao mesmo tempo, e que mantêm os planetas em suas órbitas.
Essa informação está trancada como uma semente em nosso mundo subjetivo e é preciso regá-la para que germine, cresça, floresça e dê frutos.
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004
Se você me perguntar por qual filosofia vivi e vivo, só poderei dizer que ela se aproxima do que os chineses conhecem como taoísmo. Estar sempre atenta, e saber sempre reagir à fluidez e às mudanças que ocorrem dentro e fora dessa entidade transitória chamada ... Sentir que sou uma só com o mundo natural, e confiar nele como eu conheço e confio em meu próprio ser. Aceitar o Mistério, a Origem Incognoscível, sem precisar fixá-lo, sem querer dar-lhe um nome. Agir sempre do meu âmago, doando-me e ofertando-me aos outros e às circunstâncias, sem nada forçar, nem ninguém obrigar. Amar a vida estando pronta para renunciar a ela. Ir adiante.
Adaptado de um texto de Elsa Gidlow
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Terça-feira, Fevereiro 10, 2004
Oração pelas crianças
Oramos pelas crianças
que furtam picolés antes do jantar,
que furam com borracha o caderno de matemática,
que fazem birra no supermercado e pirraça com a comida,
que gostam de histórias de fantasmas,
que nunca conseguem achar os seus sapatos.
E oramos por aquelas
que olham os fotógrafos por trás do arame farpado,
que não podem correr pela rua com tênis novos,
que nascem em lugares onde nem mortos entraríamos,
que nunca vão ao circo,
que vivem num mundo promíscuo e violento.
E oramos pelas crianças
que dormem com o cachorro e escondem o peixinho dourado,
que nos dão beijos lambuzados e punhados de dentes-de-leão,
que são visitadas pelo ratinho do dente,
que nos abraçam com pressa e esquecem o dinheiro do lanche.
E oramos por aquelas
que nunca têm sobremesa,
que não têm um cobertor que possam arrastar,
que vêem seus pais vendo-as morrer,
que não encontram pão para roubar,
que não tem quartos para limpar,
cujas fotografias não estão penduradas na penteadeira de ninguém,
cujos monstros são reais.
Oramos pelas crianças
que gastam toda a sua mesada antes da terça-feira,
que jogam a roupa suja embaixo da cama e nunca dão descarga,
que não gostam de ser beijadas na frente de quem dá carona,
que se agitam na igreja ou no templo e gritam ao telefone,
cujas lágrimas às vezes nos fazem rir e
cujos sorrisos podem nos levar ao choro.
E oramos por aquelas
cujos pesadelos acontecem de dia,
que não comeram nada,
que nunca viram um dentista,
que não são acariciadas por ninguém,
que vão para a cama com fome e choram até dormir,
que vivem e se movimentam, mas não têm ser.
Oramos pelas crianças
que querem ser carregadas,
e por aquelas que precisam sê-lo,
por aquelas que nunca abandonamos e
por aquelas que não têm uma segunda oportunidade,
por aquelas que asfixiamos...
e por aquelas que pegam a mão de quem for bom para oferecê-la.
Extraído de "Conversando a Gente se Entende",
de Margaret J. Wheatley
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Segunda-feira, Fevereiro 09, 2004
Devoção
A devoção verdadeira, daquele que transcende a forma para atingir a unificação com o Ser Amado, seja Deus ou Brahma, Allah ou Cristo, Buda ou a Virgem Maria, cria uma magnífica oportunidade para o indivíduo libertar-se de si mesmo, esquecer-se do eu-consciência e perceber através do Ser Amado a origem da Vida Una.
No entanto, as religiões dogmáticas e criadoras de formas pecaminosas e separatistas, a educação atual, em que a criança aprende desde cedo a querer ser mais e vencer primeiro, sempre com o anseio da busca do poder; as sociedades onde os indivíduos valem mais pelas suas manifestações exteriores de intelectualismo ou de atividade ilusória, sem realização interna, e os embates da vida, atiram o pobre viajor de um lado para o outro, nesta jornada de lutas, sem lhe explicar a sua razão de ser, as ingratidões e os sofrimentos que ferem a alma do devoto que no começo da existência era uno com o seu Deus -- tudo isso está arrancando do homem o espírito de devoção.
O mundo de hoje é de lógica e de raciocínio. Raros são os impulsos do coração, fontes de amor sem forma, expressão natural da vida que se identifica com algo, ou com alguém. Hoje tudo é pesado e medido, e investigado através da mente que ilude e separa.
Tanto as religiões como as filosofias expressam a maneira de ser do indivíduo através de uma análise fria, de um julgamento pessoal e interesseiro. São poucos os que se se atiram a uma causa religiosa ou social por amor à causa. Geralmente o indivíduo se vê na causa que defende e não se identifica com ela pelo que vale. Ora, se a mente vai primeiro arrastando o eu-consciência, não existe devoção ao trabalho, qualquer que ele seja -- político, social, religioso ou de outra espécie.
A devoção não se expande apenas diante de uma imagem. O devoto integra-se com a flor, com o sorriso da criança, com a alegria de quem ama ou com a dor de quem sofre. Mas, se a educação social e religiosa ensina o indivíduo a manifestar-se e a encontrar-se em tudo que ele faz ou pensa, não existe devoção.
Então ele coloca as flores no seu jardim, para gozar sua beleza, mas não sente a sua vida. Estuda filosofias, desejando pela mente descobrir a Divindade em si, e ignora que, enquanto ele não se identificar com o Ser Amado, num espírito real de devoção, a Divindade que jaz no seu coração não se manifestará.
É fácil desenvolver o princípio devocional através dos seres que estão mais próximos de nós, como, por exemplo, as mães ao se identificarem com a alegria e dor de seus filhos, e por eles estendendo-se sua identificação a todas outras crianças. Se formos nos identificando (e não apenas conhecendo) com a família, amigos e conhecidos, que são os mais próximos de nós, iremos aumentando nossa capacidade de unificação com outros seres, humanos ou não, e o espirito devocional nos abrirá as portas do coração à entrada d'Aquele que é o nosso Bem-Amado.
Confunde-se geralmente devoção com ritualismo. Mas o tipo mais elevado do devoto ama sem forma; entrega-se sem sentir, ao passo que o ritualista ainda se expressa formalisticamente. O ritualista procura ser, enquanto o devoto já é; é aquele que não é ele mesmo, aquele que vive na alma do mundo, no próprio coração da vida.
Autor não mencionado
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004
A dúvida que nos corrói
Quando nos encontramos em meio a uma crise de depressão, temos plena consciência da opressiva dúvida que trazemos dentro de nós. Duvidamos que as coisas jamais melhorem. Duvidamos de nós mesmos pela dificuldade de tomar decisões e quando tomamos alguma, duvidamos de haver tomado a decisão certa.
Obviamente essa é uma situação muito incômoda. Gostaríamos de ter plena certeza. Tentamos encontrar essa certeza em nós. Quando não é possível, tentamos encontrá-la em qualquer pessoa ou coisa que apareça. Recorremos a um emprego, um relacionamento, uma crença ou uma filosofia para obter essa certeza. Queremos sentir que sabemos qual é o nosso lugar no mundo. Queremos que nossa vida seja previsível e certa.(...)
O mais comum é procurarmos a religião ou a filosofia para encontrar alguma crença ou explicação que seja como um porto seguro na tempestade. mas em nossa vida a tempestade continua. Os portos seguros não existem.Nunca existiram.
Hakuin, um grande mestre zen do século XVIII, ensinou que a grande dúvida é uma das bases da prática do zen-budismo. Muitas vezes a dúvida é o que nos leva à meditação e aos ensinamentos zen -- a dúvida sobre quem somos, por que a vida é tão cheia de sofrimento e como devemos viver sabendo que morreremos. Devemos então acolher essa dúvida, meditar nela e assimilá-la até que ela nos preencha todo o ser.
Precisamos estar dispostos a viver em meio a essa imensa dúvida e achar que assim está bem. Na verdade, precisamos aceitar que talvez ela jamais se resolva e que mesmo assim estará tudo bem.
Se conseguirmos conviver com essa dúvida, estaremos eternamente prontos para ser surpreendidos -- pela vida, por nós mesmos, pelas nossas respostas, pela nossa experiência.
Katagiri Roshi gostava de dizer que estudamos alguma coisa só para compreender que sabemos muito pouco sobre ela. Viver na dúvida é viver em mistério, dar ao mistério um lugar grande e vital em nossa vida. A vida humana é maior que tudo que possamos acreditar ou compreender a seu respeito.
É por isso que a dúvida que ganhamos na depressão é uma dádiva e um grande ensinamento.
Extraído de "A Prática do Zen na Cura da Depressão",
Philip Martin.
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Terça-feira, Fevereiro 03, 2004
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
|
|
Powered by
Template obtido em
Joanie Madden
"The Immigrant"
Links
Aldeia
dos Anjos
Alma Indecente
Bambu Oco
Blue Shell
Brisa Poética
Caderno de Sonhos
Canis Lupus
Chandra
Clave de Lua II
Comunicação Transgressora
Diafragma
Docemaior
Ela nua é linda
Escudo do Leste
Garden of Eden
Lakota
Lua Nua
Marromeno
O Castelo de Thor
Olho de Odinn
Pensamentos da Brisa
Peregrino Aprendiz
Quero Acreditar
Revelações
Spicy Gal
Território Neutro
Todos os Sentidos
Viajante
Voz do Vento
Seja Solidário:

Arquivos
Principal
|