Quinta-feira, Janeiro 29, 2004
Quem de dentro de si não sai,
Vai morrer sem amar ninguém
A parte perguntou para a parte qual delas
é menos parte da parte que se descarte.
Pois pasmem: a parte respondeu para a parte
que a parte que é mais -- ou menos -- parte
é aquela que se reparte.
Cacaso
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Segunda-feira, Janeiro 26, 2004
Um ano de Nuvens
Há um ano atrás surgiu este espaço, este pequeno "pedaço de céu"
virtual. Foi gerado no coração de uma generosa Lua, também conhecida por Arqueira da Lua ou Chandra, a quem considero como irmã. E através das habilidosas e talentosas mãos de um outro Arqueiro Celestial, o mundo dos blogs ficou um pouco mais nublado.
Durante esse tempo, muitas nuvens já passaram por aqui...algumas foram de
dias claros de Sol, outras foram mais sombrias e houve até algumas que se
desfizeram em chuvas torrenciais, traduzindo, mesmo que sutilmente, muitas emoções vividas por mim.
Imprimi, mas também colhi emoções por aqui, por meio de cada novo visitante, ou daqueles que retornavam, criando assim, novos laços nessa
grande teia virtual, como diz a querida Bugra, outra irmã do coração.
As nuvens passaram e continuam passando, porém, os amigos, tal qual
as estrelas do firmamento, vão permanecendo dentro do meu coração.
Obrigada pelo carinho de todos vocês!
~~Nuvem~~
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Marinas
O amor que tive
e o amor que não tive,
às vezes todos se misturam.
Em tons de azul e violeta tingem a minha tela
suavemente.
Pintura abstrata.
Viver às vezes
se assemelha
aos movimentos do mar:
água espumante,
náufragos à deriva.
As ondas e o ribombar
de sua fúria sobre a praia.
Às vezes é doce morrer no mar.
Beth Fleury
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Sexta-feira, Janeiro 23, 2004
Desejos do amor
O amor não tem outro desejo senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amar é precisar ter desejos, sejam estes os vossos desejos:
De se diluir no amor e ser como um riacho que canta sua melodia para a noite...
De conhecer a dor de sentir ternura demasiada...
De ficar ferido por vossa própria compreensão do amor ...
De sangrar de boa vontade e com alegria...
De acordar na aurora com o coração alado
e agradecer por um novo dia de amor...
De descansar ao meio-dia e meditar sobre o êxtase do amor...
De voltar para casa à noite com gratidão ...
E de adormecer com uma prece no coração para o bem-amado, e nos lábios uma canção de bem aventurança ...
Khalil Gibran
E ao que tudo indica, a chuva se fará presente, como há dezessete anos atrás...
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Quarta-feira, Janeiro 21, 2004
Trecho
Cântico
I
Não queiras ter Pátria.
Não dividas a Terra.
Não dividas o Céu.
Não arranques pedaços ao mar.
Não queiras ter.
Nasce bem alto,
que as coisas todas serão tuas.
Que alcançarás todos os horizontes.
Que o teu olhar, estando em toda
a parte
te ponha em tudo,
como Deus.
II
Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontens...
Não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em toda as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabe que serás assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
é a passagem que se continua.
É a tua eternidade...
É a eternidade.
És tu.
III
Não digas onde acaba o dia.
Onde começa a noite.
Não fales palavras vãs.
As palavras do mundo.
Não digas onde começa a Terra,
onde termina o céu.
Não digas até onde és tu.
Não digas desde onde é Deus.
Não fales palavras vãs.
Desfaze-te da vaidade triste
de falar.
Pensa completamente silencioso.
Até a glória de ficar silencioso,
sem pensar.
IV
Adormece o teu corpo com
a música da vida.
Encanta-te.
Esquece-te.
Tem por volúpia a dispersão.
Não queiras ser tu.
Queira ser a alma infinita de tudo.
Troca o teu curto sonho humano
pelo sonho imortal.
O único.
Vence a miséria de ter medo.
Troca-te pelo Desconhecido.
Não vês, então que ele é maior?
Não vês que ele não tem fim?
Não vês que ele és tu mesmo?
Tu que andas esquecido de ti?
V
Esse teu corpo é um fardo.
É uma grande montanha abafando-te.
Não te deixando sentir o vento livre
do infinito.
Quebra teu corpo em cavernas
para dentro de ti rugir
a força livre do ar.
Destrói mais essa prisão de pedra.
Faze-te recepto.
Âmbito.
Espaço.
Amplia-te.
Sê o grande sopro
que circula...
VI
Tu tens um medo:
acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que acabas no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Cecília Meireles
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Domingo, Janeiro 18, 2004
O importante não muda!
Tem sempre presente, que a pele se enruga, que o cabelo se torna branco, que os dias se convertem em anos, mas o mais importante não muda!
Tua força interior e tuas convicções não têm idade.
Teu espírito é o espanador de qualquer teia de aranha.
Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada trunfo, há outro desafio.
Enquanto estiveres vivo, sinta-te vivo.
Se sentes saudades do que fazias, torna a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amareladas.
Continua, apesar de todos esperarem que abandones.
Não deixes que se enferruje o ferro que há em você.
Faz com que em lugar de pena, te respeitem.
Quando pelos anos não consigas correr, trota.
Quando não possas trotar, caminha.
Quando não possas caminhar, usa bengala.
Mas nunca te detenhas!
Madre Teresa de Calcutá
QUERIDA
     
Conta teus anos, não pelo tempo,
mas pelo espaço que fazes em teu coração;
não pela amargura de uma dor,
mas pela experiência que ela traz;
não pelo número de troféus de tuas conquistas,
mas pelo gosto de aventura de tuas buscas;
não pelas vezes que chegaste,
mas pelas vezes que tiveste coragem de partir;
não pelos frutos que colheste,
mas pelo terreno que preparaste
e as sementes que lançaste;
não pela quantidade dos que te amam,
mas pela medida de teu coração
capaz de amar a todos;
não pelas desilusões que tiveste,
mas pela esperança que deste a alguém;
não pelos anos que fazes,
mas por aquilo que fazes a teus anos;
não pelas vezes que celebraste aniversário,
mas pelas vezes que teu aniversário
se tornou uma celebração de vida.
FELIZ ANIVERSÁRIO!
Beijos, Namastê! Shanti!
~~Nuvem~~
       
Fonte: Maytê mensagens
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Quinta-feira, Janeiro 15, 2004
Boca é entrada,
Chave de todos os recatos.
Do gosto, no rosto, de todos os sabores.
Do medo, no seio, de todos os pudores.
Do vício, no cio, de todos os pecados.
Boca é surpresa,
Caixa mágica de todos os delírios.
Do arrepio, no toque, das carnes trêmulas.
Do desafio, no começo, dos recantos escondidos.
Da procura, no escuro, de todos os resquícios.
Boca é jazigo,
Túmulo inviolável das individualidades.
Do selo, na saliva, dos fluidos pessoais.
Do lacre, na mordida, das marcas digitais.
Do sacro, na súplica, da saciedade.
Boca é sedução,
É a fonte de todos os desejos.
Do sexo, animal, de dentes afiados.
Da carne, sensual, de ventres inflamados.
Do amor, integral, que revive a cada beijo.
Marina Colasanti
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Segunda-feira, Janeiro 12, 2004
Parábola Indiana
Havia um lavrador cuja plantação de trigo foi prejudicada primeiro por uma praga de gafanhotos e, em seguida, devido a uma inundação. Embora a família tivesse o suficiente para comer, eles não conseguiam progredir.
O lavrador orou ao Criador, implorando-lhe uma estação perfeita:
"Senhor, mande-me muito sol e o volume exato de chuva, nenhuma praga e uma brisa suave. Isso é tudo o que eu peço".
O Senhor o atendeu e o lavrador viu a nova plantação de trigo crescer forte e alta. Ele se ajoelhou para agradecer ao Pai, mas à distância, ouviu as exclamações de sua mulher e filhos. Eles tinham aberto as belas espigas e as encontraram vazias. Sem resistência, o trigo havia deixado de produzir sementes.
Ainda de joelhos, o lavrador continuou:
"Porém, no ano que vem, Senhor, mande-me exatamente as dificuldades necessárias para tornar o meu trigo forte".
Carol Orsborn
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Sexta-feira, Janeiro 09, 2004
Sua Serenidade
A serenidade é o fim -- e também o meio -- pelo qual se vive realmente. Sintonizando o momento aqui e agora, você descobrirá que sempre teve o suficiente para desfrutar cada instante da sua vida. Se não se sente feliz a todo instante, a única razão disso é ter dominado a sua consciência com pensamentos sobre o que você não possui -- ou pela tentativa de agarrar-se àquilo que você tem, mas que já não se mostra adequado ao atual momento da sua vida. A chave para um padrão de interação ideal entre você e tudo o que o cerca -- pessoas e coisas -- está aqui e agora (não está no passado ou no futuro).
O significado do "aqui e agora" é maravilhosamente ilustrado por uma história zen sobre um monge que estava sendo perseguido por dois tigres. Chegando à beira de um penhasco, ele olhou para trás e viu que os tigres quase o estavam alcançando. Notou, então, uma videira que pendia sobre os rochedos. Rapidamente, o monge arrastou-se passando por sobre a borda do penhasco e foi descendo pela planta. Ao olhar para baixo, viu dois outros tigres esperando por ele no fundo do penhasco. Olhou para cima e observou que dois camundongos roíam a videira. Só então notou que havia um belo morango ao alcance da sua mão. Apanhou-o e deliciou-se com o morango mais saboroso de toda a sua vida!
Embora estivesse a alguns minutos da morte, o monge foi capaz de desfrutar o aqui e agora. Constantemente a vida nos manda "tigres" e "morangos". Mas nos permitimos saborear os morangos? Ou usamos nossa valiosa consciência para nos preocuparmos com os tigres?
Note que o monge reagiu ao perigo físico da maneira mais inteligente. Ele fugiu dos tigres -- até desceu o penhasco pendurado a uma videira. Fazendo isso, permaneceu inteiramente no aqui e agora, apreciando seja lá o que a vida lhe oferecesse. Não obstante a morte iminente, não permitiu que pensamentos sobre o futuro o aterrorizassem. Depois de fazer tudo o que estava ao seu alcance, ele usou a sua preciosa consciência para desfrutar plenamente cada momento da sua vida.
Do livro de Ken Keyes Jr.,
Guia para uma Consciência Superior.
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Quarta-feira, Janeiro 07, 2004
Ame o seu corpo
Talvez o mais belo instrumento de que você dispõe para trabalhar seja o seu corpo físico. Resultado de milhões de anos de evolução, seu corpo é um templo divino que abriga o seu Eu espiritual e o expressa no mundo físico. O corpo e a alma são parceiros divinos que trabalham juntos para o progresso e a evolução espiritual.
Seu corpo é naturalmente inteligente. Ele sabe como recompor-se e tem um conhecimento inato que o faz executar automaticamente uma série de funções sem que você precise contribuir para isso com a sua consciência. Seu corpo sempre lhe dirá do que precisa; basta que você ouça o que ele diz.
Como anda tratando o seu corpo? Acaso o abastece com quantidade adequada de alimentos, de água, de exercício, de ar livre e de descanso? Quando ele adoece, você modera suas atividades, ou se zanga com ele por estar interferindo em seus planos? Há quanto tempo não faz uma massagem ou desfruta de outro prazer sensual qualquer?
Faça uma pausa e expresse a gratidão por tudo o que seu corpo lhe deu. Pergunte-lhe de que está precisando exatamente neste instante e atenda o seu pedido. Você e o seu corpo consituem uma unidade. Quando você o ama e respeita, está amando e respeitando a si mesmo.
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Domingo, Janeiro 04, 2004
O respeito pelo infinito
Em meio às nossas obrigações concretas, é propício manter certos períodos para nos desligarmos delas e reorientarmos nossa energia vital para outro compromisso, muito mais valioso e abrangente, o contato com o cosmos, onde respiramos e construímos o destino.
O aspecto infinito do cosmos nos liberta das limitações que a cultura, aparentemente sofisticada e moderna, nos impõe. É necessário, portanto, rezar, ainda que nos consideremos ateus, pois mesmo a mente cética que se gabe de racional tem de reconhecer que a respeito do infinito é muito mais o que desconhece do que aquilo que reconhece, e que ante essa verdade cabe uma postura respeitosa e humilde, tal qual a da oração.
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Sexta-feira, Janeiro 02, 2004
Os caminhos para a libertação
Há uma escritura que diz: "Para se chegar a Deus, os caminhos são tantos quantos são os suspiros dos homens". Embora sejam realmente muitos os caminhos, em todos eles existe um ponto comum, uma idéia central, sem a qual o homem jamais poderá atingir o fim. Ficará envolto nas teias da ilusão, sofrendo as agruras e as intempéries do caminho e percebendo quão grande é a distância que o separa do Criador.
Enquanto a criatura humana estiver voltada para si mesma, qualquer que seja o caminho por ela tomado para alcançar a perfeição, estará continuamente marcando passos, afastando cada vez mais de si o portal do Templo da Sabedoria, que terá de transpor para sentir a paz no coração e na mente -- a consciência da proximidade de Deus.
Quando o homem se acerca de Deus, vive sua própria divindade, pois só poderá encontrar Deus no momento de se libertar dos condicionamentos da personalidade e de se identificar com o seu Deus interior, com aquela centelha divina que está escravizada em si, mas em busca de libertação.
A verdadeira vida do homem se assemelha à da borboleta envolta na crisálida e ansiosa por enfrentar a luz do Sol. Não pensa nas dificuldades do caminho. Ela abre suas débeis asas, largando atrás de si o casulo protetor, e levanta vôo para o azul, inconsciente de seu arrojo e dos perigos que a esperam. Não sabe se vai cair logo depois. Ignora a escuridão da noite, bem como os ardentes raios do Sol. Sente apenas que deve a brir as asas, porque estas foram libertadas para voar e jamais para se encolherem com medo de cair. E pouco a pouco vemô-la sugando o néctar das flores e misturando a beleza de suas cores com o azul do céu.
Assim vive o homem. Até uma certa etapa de sua evolução, teme romper a crisálida da mente, que o protege sob as qualidades negativas que são o medo e a superstição. Um dia, porém, seu pensamento voa para o azul.
E como é suave voar nas asas do pensamento liberto das teias da ignorância, do medo, das tradições e da superstição, que o ataram como o pássaro de asas cortadas e que luta por voar. Como é feliz quem já não está limitado às crendices populares, aos dogmas das religiões, aos falsos conceitos de uma verdade preestabelecida, e não está, portanto, sujeito à estagnação! Como é doce subir ao céu nas asas do pensamento livre, sentir a felicidade encontrada por si mesmo, beber a sabedoria do passado no presente, pois o passado já se tornou presente e o futuro para ele não existe! É o eterno agora; é a vida manifestada numa fusão de passado e futuro; é a consciência do Absoluto, na qual o homem vive, embora encadeado por si próprio.
Mas a borboleta precisou de esforço para largar a crisálida. Necessitou lutar. Quem sabe quantas angústias ela não passou na escuridão de sua casca! Quanta luta e anseio ardente não teve, pressentindo a existência da luz do Sol! Também o homem, quando está preso nas ilusões, com a mente limitada por prejuízos e condicionamentos criados por ele próprio, luta porque pressente a existência de uma verdade eterna, da qual sente fazer parte, porém, limitado para a sua realização.
Os caminhos para a libertação são muitos, mas todos exigem do homem a libertação de tudo o que ele criou como supostos meios de defesa para se libertar e voltar ao Criador. Como a borboleta, ele criou a casca protetora, penetrou sua forma mais sutil na mais grosseira durante o período da involução. Limitou-se no reino elemental, onde se envolveu, pouco a pouco, em matéria cada vez mais densa, até viver na pedra bruta. Mas nela sentiu o anseio de subir e o começo de sua ascenção. E foi planta, animal e homem -- e como homem, limitado por si mesmo, porém, ansioso por ser deus.
Ele veio de Deus. É uma parte dEle e vive nEle. Sente os raios ardentes do Sol da divindade queimarem sua alma, através de uma personalidade às vezes transparente, outras vezes mais grosseira. Mas sabe que um dia há de libertar-se dessa personalidade, encontrar-se a si mesmo e descobrir Deus em si.
Os caminhos são muitos, e as dificuldades aumentam quanto mais o aspirante caminha rapidamente em busca da verdade; e, quando consegue abrir uma brecha na crisálida que o envolve, as dores da personalidade se assemelham ao rasgar de suas carnes, ao abandono de toda defesa emocional e a uma verdadeira destruição de seu poder mental.
Quando ainda no reino vegetal, a alma das flores e a vida das árvores, expandiam seu brilho e perfume. Quando no animal, tinha sua manifestação semiconsciente de dor ou de alegria. Quando homem, tornou-se auto-responsável e soube que foi feito "à imagem e semelhança de seu próprio Criador". Nesse momento começa seu verdadeiro sofrimento e sua luta.
Quando a vida está limitada no homem ignorante e de poucas existências, é como a flor silvestre que enfeita o campo, mas não suporta o ambiente dos jardins. Ela continua a viver após as tempestades, não se ressente dos raios ardentes do Sol, não sofre as intempéries, verga sob o temporal, mas depois se ergue ereta, inconsciente do furacão que a envolveu.
Também ele, o homeme sem cultura, ignorante, do "de onde veio e para onde vai", tendo uma consciência semidesperta das coisas deste mundo, vê passar diante de si a beleza do por-do-sol, o sorriso da criança, o florescer da juventude ou o declínio da tarde e da velhice, e as lágrimas ardentes a queimar as faces de seu irmão, mas nada altera sua vida, e continua comendo e gozando -- ou sofrendo -- suas dores egoisticamente, como faria o mais simples animal.
Mas, quando sua consciência desperta para a vida comum do ser humano, quando ele, de encarnação em encarnação, vai percebendo que não é um simples corpo, mas que este é apenas o invólucro de sua alma imortal; quando sente que está ligado aos outros, não somente pelos laços de família ou sangue, mas como uma só família humana, seus olhos se voltam para o Alto, e uma nova luz penetra em sua alma ansiosa por servir.
Neste momento, o homem se torna consciente de seu carma, sabe que existe uma lei de causa e efeito, e todo o seu passado aparece diante de si como se fora um acontecimento daquele momento, daquele dia. Sua vida se transforma numa tortura. Seus lábios ressequidos tremem por não ter alcançado o poder de mitigar sua sede de sabedoria; suas mãos sentem a impotência de dar aos outros tudo quanto em seu coração existe de amor e compaixão.
Aparecem então as dificuldades do caminho. São os erros do passado, que se despejam sobre sua personalidade ainda imperfeita. São saudades dos dias felizes; é a dor pelas oportunidades perdidas em várias existências; é o desejo de se dar; são as limitações do presente; é a esperança num futuro que ainda não está claro, mas ensombreado pelas nuvens pesadas de um passado distante.
E o caminhantes inicia uma nova jornada. Não quer mais as delícias da estrada suave, respirando o perfume das flores. Sobe pelas escarpas áridas e desertas, sentindo, no ferir do pés, a alegria da vitória. Mas as dificuldades aumentam. As forças criadas por ele mesmo como elementos da natureza física, emocional e mental são como sombras negras que embaraçam o caminho atirando-o para trás.
Quando quer triunfar materialmente, todas as possibilidades a isso se antepõe. Quando quer sentir a beleza do céu ou ouvir o cantar dos pássaros, uma nuvem astral embota-lhe os sentimentos. Quando deseja voar nas asas da imaginação e entrar ousadamente no mundo do pensamento, este o trai, envolvendo-o em coisas materiais. E uma noite espiritual envolve sua personalidade, tentando derrubá-lo.
Há, porém, um poder maior que o incentiva para a frente. É o conhecimento da lei. Ele sabe que já desceu e que está subindo. Conhece as dificuldades do caminho e não desanima. Sua alma se torna cada vez mais forte. Seu sofrimento é amor, dedicação e desvelo aos outros. Sua alegria é a felicidade alheia, é a satisfação do dever cumprido. Sua esperança é a certeza de que está indo ao encontro do "de onde veio", finalmente retornando da longa caminhada.
Seu amor é uma força que o arrasta para "bem servir". Sua caridade é uma unificação com todos os seres, sejam pedras ou plantas, homens ou animais. É a perda do sentimento de separatividade, é a luz que o leva aos pés dAquele em cujo nome serviu. E, ao chegar ali, todos os caminhos se unificam. Desaparecem as muletas e os degraus. O homem está no alto da montanha. Transpôs o portal externo do Templo da Sabedoria e é a prórpia divindade!
Cinira Riedel de Figueiredo
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Quinta-feira, Janeiro 01, 2004
FELIZ ANO NOVO!
FELIZ 2004!
Obrigada, Gal, pela linda imagem.
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