Segunda-feira, Setembro 29, 2003




Evite a impaciência.
Você já viveu séculos incontáveis e está diante de milênios sem fim.

Guarde a calma.
Fuja, porém, à ociosidade, como quem reconhece o decisivo valor do minuto.

Semeie o amor.
Pense no devotamento d'Aquele que ama desde o princípio.

Guarde o equilíbrio.
Paixões e desejos desenfreados são forças de arrasamento na Criação Divina.

Cultive a confiança.
O Sol reaparecerá amanhã no horizonte, e a paisagem será diferente.

Intensifique o próprio esforço.
Sua vida será o que você fizer dela.

Estime a solidariedade.
Você não poderá viver sem os outros, embora na maioria dos casos possam os outros viver sem você.

Experimente a solidão, de quando em quando.
Jesus esteve sozinho nos momentos cruciais de sua passagem pela terra.

Dê movimento construtivo às suas horas.
Não converta, no entanto a existência numa torre de Babel.

Renda culto fiel à paz.
Não se esqueça, todavia, de que você jamais viverá tranqüilo sem dar paz aos que pisam seu caminho.



André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier

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Sexta-feira, Setembro 26, 2003





ABRA A PORTA


Você já bateu alguma vez a uma porta e ouviu, de dentro, alguém dizer-lhe "Entre, a porta está aberta"? Em certas ocasiões a vida pode parecer-nos uma porta fechada à nossa frente; sentimo-nos do lado de fora, separados da felicidade e da plenitude almejadas. Vemo-nos, então, como que a bater à porta da vida, na expectativa de que alguém nos descortine meios de realização e de êxito.

Se nos parece estar batendo a uma porta fechada, talvez devamos escutar; escutar no silêncio da oração. Saibamos que o Cristo interno está sempre a chamar-nos: "Venham! Entrem! A porta está aberta!" Façamos nossa parte: estender o braço, virar a maçaneta e abrir a porta. A maçaneta é a fé. Ele está à espera de nossa iniciativa, como disse Cristo: "Pede e ser-te-á dado; procura e acharás; bate e ser-te-á aberto". Lembremos disso.

A porta que dá acesso ao nosso bem não está fechada. Vamos ao encontro da porta da felicidade, a porta para novas oportunidades. Ela está diante de nós! Podemos abrí-la e transpô-la a qualquer momento!

"...eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar..."


Apocalipse, 3:8




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Quinta-feira, Setembro 25, 2003





ACEITAÇÃO



"Rejeitar a própria cruz é torná-la mais pesada."

A vida humana, como cada um de nós experimentou em diferentes medidas, é semeada de provas, de dificuldades, de sofrimentos. Todavia a dor é necessária e inevitável, pois constitui o próprio mecanismo evolutivo.

A vida é apenas uma escola na qual nos submetemos a duras disciplinas, a provas de toda espécie, até que pouco a pouco, aprendemos a nos destacar do molde e a reconhecer a divindade que temos latente em nós.

Existem leis justas e imutáveis que têm -- todas elas -- o alvo de conduzir a humanidade desde os graus mais baixos da escala evolutiva até a mais alta espiritualidade e à realização do verdadeiro eu, que é uma centelha divina.

A melhor atitude diante dessas circunstâncias dolorosas foi sintéticamente expressa na palavra "aceitação".

Aceitação significa acolher, receber algo que acontece, que nos vem ao encontro. Em outras palavras, significa aceitar a vontade de Deus.

Para nós humanos, imersos no mundo das formas, decerto não é fácil reconhecer a vontade de Deus nem perceber Seus desígneos e motivos.

Bastaria, porém, estarmos convencidos de que existe um querer superior, um propósito divino, um plano para a humanidade, para que tudo o que sucede, seja à pessoa ou à coletividade, nada mais é do que um meio de conduzir à realização desse propósito, desse plano; nada acontecendo, portanto, ao acaso, mas tudo tendo uma causa e uma finalidade justa, benéfica e construtiva.

Tivéssemos disso uma certeza profunda e uma convicção interior, e seria fácil adquirir a qualidade da aceitação, que, na realidade, é a colaboração consciente da vontade humana com a vontade divina.

Ao invés disso, a vontade humana quase sempre é a do eu inferior em contraste com a vontade divina, expressa pela alma, ou eu superior, porque nós, imersos no mundo da ilusão, do irreal, criamos para nós finalidades erradas, desejamos coisas que nem sempre estão em harmonia com as leis da evolução; queremos a felicidade terrena, a satisfação pessoal, em lugar de nos voltarmos ao verdadeiro objetivo da vida: a realização do eu espiritual.

A vontade humana pode perseguir fins egoístas, ambiciosos e de separação. A vontade de Deus volta-se para fins altruístas, impessoais, amplos e universais.

A alma humana tem uma finalidade, um propósito que deve alcançar, o qual está em harmonia com a vontade superior e desejaria que nós, personalidades, compreendêssemos tal propósito. Todavia nem sempre sabemos reconhecer a vontade da alma, pois esta não pode se manifestar claramente, diretamente, visto não termos ainda contato firme com o eu superior, um alinhamento contínuo e perfeito entre os veículos inferiores e os superiores. Eis, portanto, a alma constrangida a expressar-se por meio de acenos, de indicações veladas, por entre as circunstâncias da nossa vida e pelas pessoas que encontramos em nosso caminho.

Poderíamos dizer que todo acontecimento é, na realidade, um símbolo da vontade da alma. Aceitação, portanto, significa acolher tudo o que sucede, toda provação, como uma expressão simbólica e velada da vontade superior, a qual é sempre justa e benéfica, embora não o saibamos reconhecer.

Por exemplo: obstinamo-nos frequentemente, enveredando por um certo caminho, não obstante as dificuldades e repetidas desilusões; ainda assim, não nos passa pela mente o pensamento de que talvez o que desejamos não se realize pela vontade da alma que desejaria conduzir-nos a uma meta diversa, ou que provavelmente tenhamos tomado alguma atitude errônea, ou tido qualquer deficiência que nos impede de prosseguir -- sendo as desilusões uma advertência da alma, que nos quer fazer compreender nossas
falhas e erros. Todo acontecimento tem um significado oculto, toda provação encerra um ensinamento.

Na aceitação, portanto, está a obediência ao querer superior, e a paciência de saber esperar que tudo se resolva bem.

Desejaríamos compreender claramente e desde logo o significado dos acontecimentos, mas olvidamos que o sucedido num dado momento de nossa vida é apenas um fragmento de um mosaico maior ou fração mínima de tempo, que deve ser inserida no ciclo maior, que abrange uma sequência infinita de tais frações e que é o tempo eterno e infinito.

É preciso, portanto, saber esperar confiante e obedecer, não cegamente, mas com aquela medida de consciência e compreensão que nos é dado alcançar. O perigo a evitar é o de cair-se num fatalismo cego ou de tomar uma atitude de beata passividade.

Aceitação não é resignação passiva mas, ao contrário, uma atitude dinâmica, construtiva e ativa. Está situada no vértice de uma escada, cujos degraus são:

* Suportar
* Resignar-se
* Aceitar

Não existe na aceitação a ira impotente nem a surda rebelião interior ou a repressão do ódio de quem é constrangido a suportar a vida. Não há também a passiva e inerte submissão, isenta de luz e de garbo, daquele que se resigna por não entender por que se sente indefeso contra a adversidade.

Há na aceitação a coragem de quem compreende e livremente vai ao encontro da provação.

Esconde-se na aceitação o verdadeiro significado das palavras "abraçar a cruz", não no sentido de fraqueza mas, ao contrário, no do estímulo à atitude serena e sábia daquele que compreendeu e preferiu colaborar com a Lei, convencido, por meio de muitas experiências de superação, da existência de um Plano Divino, de haver, na realidade, uma Alma imortal que é, e que está ainda em evolução e submetida à ação de Leis Superiores justas e inescrutáveis.



Extraído do livro
O Caminho do Aspirante Espiritual, Angela Maria La Sala Bata.




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Terça-feira, Setembro 23, 2003





O infinito banha sua alma com eflúvios invisíveis
aos olhos físicos, mas sensíveis ao coração.
Sinta o perfume da vida, preste atenção a esses detalhes
misteriosos que revelam as maravilhas do universo.

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Segunda-feira, Setembro 22, 2003





Viver

É bom
extirpar de vez
a vontade contida
entre o ser
e o morrer.
Esfumaçar os sentimentos
em miúdas corolas sangradas
no seio de alguma flor vermelha,
de algum jardim que acolhe
minha vontade de soltar o lastro,
o resto,
o podre.
Minha vontade de viver
hoje.

Beth Fleury

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Domingo, Setembro 21, 2003





A PRECE DA ÁRVORE

Ser humano,

Protege-me!
Junto ao ar puro
da manhã ao crepúsculo,
eu te ofereço:
aroma, flores, frutos e sombra!

Se ainda assim não te bastar,
curvo-me e te dou:

Proteção para teu ouro,
Pinho para tua nota,
Teto para teu abrigo,
Lenha para teu calor,
Mesa para teu pão,
leito para teu repouso,
Apoio para teus passos,
Bálsamo para tua dor,
Altar para tua oração.

E te acompanharei até a morte...

Rogo-te: Não me maltrates!



Walter Rossi






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Sábado, Setembro 20, 2003





Auxílio Mental

Procura sentir-te cheio de paz, porém não busques a paz fora de ti, porque ela está em ti mesmo.

Quando vires um enfermo, dirige teu pensamento e força para favorecer-lhe o bem-estar.

Quando vires certas rivalidades entre homens e nações, envia-lhes pensamentos de paz.

Quando estiveres em presença de um orador, ajuda-o por meio do pensamento para que ele se inspire na verdade.

Não deixes de ajudar mentalmente uma pessoa já escolhida de antemão.

Quando te encontrares com uma pessoa desagradável, nao tenhas para ela pensamentos de repulsão senão de compaixão.

Quando estiveres desocupado, ajuda de alguma maneira os demais, desejando e pensando o bem para todos.

Quando nascer uma criança, envia-lhe bons pensamentos que lhe sirvam de anjos da guarda no transcurso de sua vida.

Quando souberes que alguém sofre, dirige-lhe teus pensamentos desejando-lhe felicidade e paz.

Quando viajar um amigo, não o deixes ir só; dirige-lhe pensamentos que lhe sirvam de constante proteção e ajuda.


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Sexta-feira, Setembro 19, 2003





COOPERAÇÃO


Cooperação é talvez uma das menos reconhecidas mas uma das mais valiosas virtudes humanas. Ela não é reconhecida porque não faz parte de um produto final. Ela tem relação com o processo de se conseguir algo; sendo assim, sua grandeza reside no fato de ser expressa através das ações comuns do cotidiano.

Uma pessoa que possui essa virtude assemelha-se ao Sol, brilhando sobre um evento ao ar livre, num lugar onde geralmente chove. O evento é elogiado, mas o Sol é esquecido. A analogia funciona não porque exista virtude no tempo, mas porque ela demonstra o quão vital e ainda assim não reconhecida é a cooperação. Sem ela o evento ficaria sem vida.

Então, ser uma pessoa cooperativa significa ter um olho atento àquilo que é necessário para trazer sucesso e fornecer aquilo (e nada mais) no momento certo, no local certo, e então retirar-se. Alguém que oferece seus serviços e depois espalha seu nome sobre o resultado não é cooperativo. Invisibilidade e precisão no fazer são necessários, e então partir sem esperar por resultados. Cooperação também requer um olho capaz de discernir e perceber exatamente o que é necessário, que se distancie da sua própria proposta a uma tarefa e apenas contribua com um ingrediente. Algumas vezes nem sequer uma idéia, mas por mais capaz que você possa considerar-se, dar apenas uma mão, um apoio.

Agora, até certo ponto, quase todo o mundo expressa essa virtude. Todos irão cooperar em algo com o qual se importam. Mas, na verdade, possuir essa virtude em "tempo integral" significa estar constantemente estendendo sua mão onde quer que ela seja necessária. E mesmo que não haja algo visível a ser feito, o mundo ainda precisa do apoio de mentes tranquilas.

Por trás dessa virtude, então há algo não menos comum: um profundo otimismo sobre a vida em geral. Se a cooperação ocorre apenas em conjunto com tarefas individuais, isto não é nada, mas se ela surge do entendimento de que cada ato de generosidade está contribuindo para uma criação totalmente nova, então ela se torna algo grandiosa. Ela é o combustível para um mundo novo, como é cada virtude humana quando conscientemente baseada em uma visão de futuro. Talvez seja isto o que se quer dizer com a expressão "estar unido com o mundo" : quando tudo o que você faz é jogado numa aposta em comum em vez de ser uma jogada pessoal em um jogo pessoal.


Extraído do livro Beleza Interior, Ed. FEEU.

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Quinta-feira, Setembro 18, 2003





Não há distância entre as pessoas, não são tão grandes as diferenças quanto as semelhanças.
Essa paixão dos humanos por serem diferentes é uma ilusão. No fim, somos todos muito mais parecidos do que diferentes.

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Quarta-feira, Setembro 17, 2003





PÉROLA PRODIGIOSA


Hoang-ti, um dos antigos imperadores da China, possuía uma maravilhosa pérola que lhe tinha dado um bom anjo, afirmando-lhe que a posse dessa jóia lhe garantiria a maior felicidade que o céu podia conferir a um mortal. Hoang-ti guardava cuidadosamente essa pérola, cujo nome era "Luz Interna", e cuja milagrosa influência lhe produzia realmente um indescritível bem-estar, uma imperturbável alegria e paz de espírito, e a mais sorridente prosperidade.

Regressando, porém, o monarca de uma viagem nas altas montanhas Kuenlin, apelidadas também "Serra das Ambições", perdeu a preciosa pérola. Notando a sua falta, chamou a si seus quatro ministros: o Olho Penetrante, o Ouvido Agudo, o Juízo Inteligente e o Dom-de-Palavra e ordenou-lhes que se esforçassem por achá-la.

Os ministros percorreram, com seus secretários e serventes, todas as regiões dos quatro cantos do país, mas não conseguiram obter nem notícia da pérola imperial, apesar de terem prometido enormes riquezas a quem a encontrasse.

A fiel esposa do monarca, a virtuosa Alma Branca, vendo os insucessos dessa missão, e notando que o seu amado marido sofria cada vez mais sob o peso das mágoas, motivadas pelo desaparecimento da pérola, resolveu procurá-la também. E vendo que os ministros já haviam percorrido toda a terra, decidiu-se começar a fazer suas indagações no mundo dos espíritos. Para este fim invocou o Anjo que tinha distinguido o imperador com aquele inigualável presente, e queixando-se da perda inesperada e irreparável, pediu-lhe seu socorro.

-- Vai com o imperador ao grande tanque na Serra das Ambições, respondeu-lhe o bom anjo, mandai esvaziar esse tanque e encontrareis no lodo um peixe preto chamado Egoísmo. Matai esse peixe, e no seu estômago achareis a pérola perdida.

A Alma Branca agradeceu de coração ao celeste mensageiro, comunicou o seu conselho a seu esposo, e foram à dita serra, fizeram como o anjo ordenara, e readquiriram a "Luz Interna", essa pérola que cumula de felicidade a quem a possui.


Autor desconhecido

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Segunda-feira, Setembro 15, 2003





Deus está em mim como o sol está na cor e na fragância de uma flor.

Hellen Keller

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Domingo, Setembro 14, 2003





O DESAPEGO


Conquistar o requisito do desapego conduz o homem a despertar em si a consciência do Espectador e, na realidade, é justamente esta consciência que nos abre o caminho para uma ulterior realização: a consciência do Espírito.

Enquanto estivermos presos pelo turbilhão dos desejos, estaremos atados a uma infinidade de apegos, estaremos preocupados , agitados, irriquietos, infelizes, sem perceber o chamado do nosso Eu Superior e sem podermos ser sensíveis ao seu contínuo apelo.

É como se estivéssemos imersos num tumulto de infinitas vozes, num marasmo nebuloso, e é absurdo pensar ou esperar que possamos realizar a consciência do Eu Superior, ainda que minimamente, permanecendo nesse estado.

Só quando nos sentirmos interiormente "livres", serenos, e quando não formos mais presa de apegos e desejos poderemos "ver" e "sentir" a verdadeira essência espiritual que está em nós. Certamente, não é fácil atingir esse comportamento interior, mas há maneiras e métodos que ajudam e favorecem o seu alcance.

Primeiramente, cada um de nós pode, através de uma análise profunda, tentar descobrir em qual dos três veículos existe maior apego. Pode ser que o descubramos em todos os três... Isto não nos deve desencorajar. O importante é reconhecer a verdade sincera e objetivamente. Não poderemos atingir o desapego se antes não conhecermos os pontos fracos que ainda existem em nós.

Alguns talvez sejam muito apegados aos bens físicos, às comodidades, ao luxo, ao conforto. Dão muita importância a todo bem-estar material, prazer físico, riqueza, etc.

Outros talvez, não dêem excessiva relevância ao conforto material, mas são muito apegados ao campo emotivo e afetivo. Os seus afetos são profundos e exclusivos, os seus sentimentos forte e excessivos, a ponto de provocar cipumes, agitação e perturbação contínua. Eles acham que as coisas principais da vida são a riqueza dos afetos, os apegos, e não saberiam jamais renunciar ao amor pelas pessoas queridas.

Outros, por assim dizer, ainda têm a sede dos seus apegos no corpo mental inferior; tal apego manifesta-se como ambição, orgulho, desejo de fama, senso de superioridade, exagerada estima da razão e da inteligência, com o conseqüente desprezo do sentimento, apego às próprias idéias, intolerância, etc.

Muitos, às vezes, negam a idéia do desapego porque inconscientemente pensam que isso seja uma espécie de frieza emotiva ou indiferença desejada e quase egoísta. O verdadeiro significado do desapego deve ser compreendido em toda a sua profundidade, antes que qualquer opinião seja emitida.

Entretanto, é necessário dizer que não é fácil compreender a sua verdadeira essência e a sua verdadeira natureza, quando não se provou o desapego, ao menos por algum tempo.

Às vezes, as pessoas muito racionais e pouco amorosas têm a ilusão de já ter atingido o desapego, pois não se comovem diante da dor, não se deixam influenciar pelos sentimentos, são indiferentes aos estados emotivos e ficam calmas em certa situações que para outras são motivos de agitação e de preocupação.

Tal calma, tal indiferença, não é desapego, mas apenas falta de amor e de sensibilidade, pois, com freqüencia, o desenvolvimento da mente concreta paralisa e sufoca o desenvolvimento do corpo emotivo e do coração.

É preciso estarmos muito atentos no julgamento e sermos sinceros e objetivos antes de afirmar qualquer coisa.

Por outro lado, as pessoas muito sensíveis, com o corpo emotivo desenvolvido e com tendências amorosas, evitam o desapego porque têm a incosciente sensação de que é bom ter a faculdade de comover-se com facilidade, ter muitos apegos, ter "coração sensível, terno", etc.

Talvez não haja uma palavra adequada que possa descrever as qualidades do desapego, mas eele significa profunda serenidade e calma interior, trespassada de amor, compreensão, alegria e energia, força, e não significa indiferença, frieza, apatia, inércia...

O desapego é o comportamento de todo aquele "que sabe", de todo aquele que superou as limitações e os apegos ilusórios e que está livre dos liames da forma.

Ausência de paixão (ou desapego) é a consciência de ser "senhor" por parte daqueles que se libertaram do desejo por qualquer objeto visto ou imaginado.

Mesmo que não possamos chegar a esse completo estado de desapego, poderemos atingir, progressivamente, e depois, aos poucos, de uma forma cada vez mais duradoura, um estado de calma e de serenidade interior que nos permitirá seguir o Caminho com os olhos mais límpidos e o coração mais firme.

As energias da Alma não podem chegar até a nossa consciência se não estivermos calmos e serenos, e Sua voz não poderá ser ouvida se estivermos imersos no tumulto de uma constante agitação.

Cultivemos, portanto, a cada momento do nosso dia, em cada atividade ou momento de provação, um senso de liberdade interior, um comportamento calmo e sereno. Preservemos a consciência do Espectador, invocando sempre o nosso Eu Superior para que nos faça atingir o desapego e nos faça conhecer a paz daqueles que mesmo estando no mundo, " vivem no eterno".

Esse é o caminho "sutil como a lâmina de uma navalha" de que fala Buda, indicador do perfeito equilíbrio alcançado pelo homem que "vive no mundo e não é do mundo", porque sabe que a vida nos três planos da manifestação não é a verdadeira vida, mas é reflexo de uma vida completa, da vida eterna e imutável onde reina a verdadeira beleza, a verdadeira felicidade e o verdadeiro amor.


Do livro "Do eu inferior ao eu superior", Angela Maria La Sala Batà

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Sábado, Setembro 13, 2003





A disciplina do amor


Foi na França, durante a segunda grande guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e na maior alegria, acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta à casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava a correr atrás dos mais íntimos. Para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe. Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar ansioso naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem-amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao seu posto de espera. O jovem morreu num bombardeio mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando aquela hora ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias. Todos os dias. Com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos, para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina. As pessoas estranhavam, mas quem esse cachorro está esperando?... Uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho voltado para aquela direção.


Lygia Fagundes Telles

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Sexta-feira, Setembro 12, 2003

Obrigada, querida Estrelinha, pelo carinho.
Teu award é motivo de orgulho para mim.




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Quinta-feira, Setembro 11, 2003





O rio atinge os seus objetivos porque
aprendeu a contornar os obstáculos.


André Luiz

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Quarta-feira, Setembro 10, 2003





Não espere mais


Há sempre milhares de pessoas que deixam passar as ocasiões de realizar pequenas coisas por aqueles a quem amam, porque os favores que agora são capazes de prestar parecem muito insignificantes em comparação com as generosas dádivas e atenções que pretendem proporcionar num futuro indefinível.

E assim prosseguem, anos após ano, até que a oportunidade tenha passado, ou, pior ainda, até que o impulso de generosidade tenha atrofiado por falta de uso. E então se perguntam por que outras pessoas parecem encontrar as ocasiões propícias, e a vida dos outros é tão mais plena e rica do que a sua.

Não espere mudar-se para uma vizinhança maior e "mais interessante" para começar a fazer amigos. Comece e poderá maravilhar-se ao descobrir como são interessantes as pessoas que vivem ao seu redor.

Não espere adquirir a "casa dos seus sonhos" para dar o melhor de si no tocante aos cuidados domésticos e à hospitalidade. Faça-o agora, e o mais humilde barraco refletirá um viver pleno e gratificante.

Não espere que possa fazer aquele viagem sonhada para começar a apreciar a beleza da natureza. Aquele que se absorve na beleza do Grand Canyon é o que primeiro reconhece a beleza de uma simples flor ou erva em seu próprio quintal.

Se não é feliz como gostaria de ser, ou se acha que a vida é verdadeiramente penosa, procure viver em plenitude o agora. Ficará maravilhado com a diferença que isto causará -- e enquanto aproveitar o melhor do presente, o futuro disto decorrerá naturalmente!

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Terça-feira, Setembro 09, 2003





Credo psicológico


Creio em cada novo dia.

Porque sei que o Sol o dirige e o Sol é vida.

Seu dourado esplendor glorifica a manhã; se as nuvens o ocultam, sei que ele é o centro do nosso sistema -- o aquecedor do nosso planeta.

Sei que o meio-dia chegará e que as sombras da mente cairão, e assim terá passado mais um dos formosos e fecundos dias da minha vida.

Sei que nada pode ser contrário às leis naturais, quer dizer, às leis de Deus.

Ora, sendo eu uma partícula do imenso Universo, nada pode acontecer a mim que não esteja de acordo com o sublime plano de Deus.

Com esse pensamento adquiro uma calma profunda, uma serena atitude para com o Universo, com todas as coisas e diante desse poder indefinível que chamamos Deus.


Foresta Rodo


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Segunda-feira, Setembro 08, 2003





O Trabalho


O trabalho é o fator de todas as grandezas, de todas as opulências que enriquecem não só o espírito como a matéria que sob o seu poderoso influxo se transforma nesses belos artefatos da indústria humana.

Os gêncios, as grandes inteligências que iluminaram os séculos e as humanidades, forjaram-se nessa gloriosa oficina.

As artes, nas suas múltiplas manifestações, as ciências nas suas descobertas fabulosas, trazem o sinete brilhante dessa força criadora do trabalho.

Será, pois, o trabalho, um castigo?

Não! O trabalho não é nem pode ser um castigo, porque este deprime e humilha, enquanto aquele eleva e enobrece. O trabalho, quando castigo, é aquele que se executa obrigado, sem inclinação, estimulado pela necessidade.

A lei do trabalho é não só uma lei universal, como uma condição de vida e de estabilidade.

Victor Hugo, assim se exprime sobre o trabalho:
" Se baixamos os olhos, vemos o inseto mover-se na erva; se levantamos a cabeça, vemos a estrela luzir no firmamento.
Que fazem? A mesma coisa -- o trabalho.
O inseto trabalha na terra, a estrela no céu. A imensidade os separa para uní-los no infinito."
Por que razão não seria esta lei a lei do homem? Ele também está sujeito à força universal e suporta-a duplamente; sofre pela matéria e pela alma.
Sua mão mão amassa a terra, sua alma abraça o céu; é de argila como o inseto, é do céu, como a estrela.
Trabalha e pensa.
O trabalho é a vida; o pensamento é a luz".

As águas estagnadas só geram miasmas que envenenam. As correntes cristalinas rolam os diamantes, fertilizam os campos, vitalizam os organismos.

Amplo, dilatado é o espaço aberto às aplicações do trabalho e tríplice é a sua manifestação: moral, intelectual e material.

Pelo trabalho moral, combatemos os defeitos e os vícios, e fortalecemos nossas virtudes desenvolvendo assim as percepções delicadas da alma. É o trabalho mais glorioso, porque o tempo não o aniquila, nem as tempestades destroem seus frutos que são eternos.

Pelo trabalho intelectual, o homem torna-se obreiro na grande oficina do progresso humano. Ele desvenda as obras magníficas do Criador e devassa os recantos da criação, descobrindo as leis eternas da evolução dos seres.

Pelo trabalho material, o homem desenvolve as suas forças físicas, robustece o seu organismo, tornando-o apto aos rudes deveres da sua pesada profissão.

Trabalho dignifica a criatura, honra-a, engrandece-a. É o socorro às tristezas desta vida e a proteção às influências nocivas que cercam o homem. Depois, é o trabalho que espalha a abundância, o bem-estar; que faz reverdecer os campos, aloura as espigas; que levanta os tetos e amacia os leitos. É ele que semeia a beneficiência, que acende as lareiras, que ilumina as choupanas.


Autor desconhecido.

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Sexta-feira, Setembro 05, 2003





Fantasia do Tempo


Todos nós estamos habituados a contar o tempo, ou melhor, a vida. Desde o nascimento ao crescimento e à morte, a pessoa humana vê, vive e divide a vida por um tempo determinado que se bem refletido vemos que nunca existiu.

O nascer, crescer e morrer; a noite e o dia; o peso, distância e altura; a idéia de medida, que as formas do universo físico nos inspiram, são uma necessidade da natureza do ser, e não significam que devamos contar a vida ou considerar o tempo.

Vemos, assim, que os números, as horas,os dias, meses e anos, séculos e milênios, são simplesmente uma fantasia que a matemática da pessoa humana criou apenas para sua utilidade.

A única realidade a esse respeito, que sempre existiu, é a seguinte:
-- Só a eternidade existe, e nela a formação e transformação dos seres, coisas e objetos, no sentido de um aperfeiçoamento ilimitado.

Não pensemos nunca que iremos um dia para a eternidade. Nós não iremos, pois estamos nela, pela razão natural da vida; nela estivemos sempre, e sempre estaremos.

A eternidade é sempre a mesma, seja no plano físico, moral ou espiritual. Apenas, uns a desfrutam com um corpo de carne e osso e outros sem esse corpo de carne e osso.

A eternidade nunca foi o futuro e tampouco um problema para o futuro. Ela é o presente eterno em todos os sentidos e em todas as coisas. Está aqui agora.


Gerald Mereb

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Quarta-feira, Setembro 03, 2003





Recesso

É preciso que silenciem
todas as formas de canção
por um momento
e se reduza o tempo
inútil
maltratado
malcantado
na boca de um qualquer
para que se reaprenda a arte
de gerir uma mulher.

Cláudia Castanheira

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Terça-feira, Setembro 02, 2003





VIVA!!!...


Jogue fora todos os números não essenciais para sua sobrevivência. Isso inclui idade, peso e altura. Deixe o médico se preocupar com eles. Para isso ele é pago.

Freqüente, de preferência, seus amigos alegres. Os "baixo astrais" puxam você para baixo.

Continue aprendendo. Aprenda mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa. Não deixe seu cérebro desocupado. Uma mente sem uso é a oficina do diabo e, o nome dele é Alzheimer.

Curta coisas simples. Ria sempre, muito e alto. Ria até perder o fôlego. Lágrimas acontecem. Agüente, sofra e siga em frente. A única pessoa que acompanha você a vida toda é você mesmo.

Esteja VIVO enqüanto viver.

Esteja sempre rodeado daquilo que você gosta: pode ser família, animais, lembranças, música, plantas, um hobby, o que for. Seu lar é seu refúgio.

Aproveite sua saúde. Se for boa, preserve-a. Se está instável, melhore-a. Se está abaixo desse nível, peça ajuda.

Não faça viagens de remorsos. Viaje para o shopping, para a cidade vizinha, para um outro país, mas não faça viagens ao passado.

Diga a quem você ama, que você realmente os ama, em todas as oportunidades.

E LEMBRE-SE SEMPRE: "A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas pelos momentos em que você perdeu o fôlego de tanto rir... de surpresa... de êxtase... de felicidade..."


Texto gentilmente cedido por meu amigo Rick




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