Segunda-feira, Junho 30, 2003
A vida é bem mais misteriosa do que se pensa, levando e trazendo situações como o vento, até mesmo as dadas por sabidas e tidas como seguras. O melhor a fazer é aceitá-la como é, sem tentar mudá-la ou criticá-la. Apenas vivê-la plenamente.
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Domingo, Junho 29, 2003
DUPLICIDADE
Eu te pressinto
correndo a meu lado
e te admiro.
Gosto de teu sorriso sem conflito,
tua trança
que balança frouxa contra o vento.
Acostumei-me a te levar comigo
pelos meus sucessos
e nos contratempos.
Eu me desculpo pelos meus excessos.
Há espaço para nós duas suficiente
para poder te manter irreverente,
apoiada
na minha metade equilibrada.
Assim me encosto
na textura sem rugas de teu rosto.
Se houver um quase nada
de divergência
é melhor prevalecer a tua inconsequência,
que é o nosso lado mais sadio.
Se por acaso houver um desafio,
há de vencer-me a ingenuidade
que evaporou no tempo,
que descorou nos tons da meia-idade.
Mas, quando um dia confrontarmos
as nossas diferenças.
quero que se sobreponha
por sobre minha face mais tristonha
a tua liberdade mais traquina.
Eu te dou a mão num gesto de ternura,
porque te quero sábia,
porque me quero pura.
meio mulher madura,
meio menina.
Flora Figueiredo
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Sexta-feira, Junho 27, 2003
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Quinta-feira, Junho 26, 2003
Recebemos da natureza e do cosmos aquilo que depositamos, nada a mais, nada a menos. A relação humana com a vida é igual a qualquer relacionamento amoroso, em seu desenvolvimento se colhe a exata quantidade e qualidade de amor que nele tenha se depositado. A humanidade adora iludir-se pensando que lhe acontecem coisas e que ela simplesmente reage aos acontecimentos, tentando assim eliminar sua responsabilidade para com a vida. Nada acontece com a humanidade, ela é o principal acontecimento, plenamente responsável por suas criações, tanto aquelas das quais ela se orgulha quanto as que prefere fazer de conta que acontecem sem sua contribuição. A lei do Karma é infalível, colhe-se exatamente aquilo que se planta.
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Quarta-feira, Junho 25, 2003
Convém a todo nós, lembrar que é sagrado o universo em que se vive, se movimenta e se desenvolve o ser, e que, mesmo dedicando a maior parte do tempo a tarefas superficiais e profanas, isso não implica o universo ser assim, nem a vida se resumir a isso. No universo há lugar para tudo e para todos, porque é infinito, mas cada coisa tem sua hierarquia definida. Aqueles de nós, que pretendam acesso aos tesouros inefáveis do universo, precisam adquirir uma relação de profundo respeito para com a vida e seus semelhantes e, paciente e humildemente, superar seu próprio egoísmo, único obstáculo para atualizar a consciência dessa comunhão com o universo, que é sagrado porque declara tudo ser vida em constante evolução.
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Terça-feira, Junho 24, 2003
Plante sua semente por onde estiver
e por onde for, mas não espere colher
resultados imediatos
O tempo é favorável desde que não
se queira apressá-lo.
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Segunda-feira, Junho 23, 2003
É PRECISO DIZER ADEUS
A morte de uma pessoa querida é sempre um momento de mudança e de reflexão. Para os que têm fé, que sabem que a morte não é o fim mas apenas uma separação temporária, fica mais fácil superar, inclusive as mortes prematuras, as tragédias inesperadas. Acreditar que tudo está certo e que Deus não erra, acalma, conforta, permite a aceitação do fato, mesmo quando não se consegue saber por que aconteceu.
Aceitar um fato irremediável e doloroso é superar a dor, enquanto a falta de fé em um poder maior, o medo do desconhecido só faz aumentá-la, criando vários instrumentos mentais de autotortura. A pessoa fica visualizando os momentos dolorosos, imaginando os sofrimentos daquele que partiu. E revivendo-os constantemente, alimenta a ferida, agravando-a.
Essa atitude de revolta e rebeldia para com os fatos que não pode mudar, além de ser inútil, angustia muito o espírito do que se foi e causa à pessoa uma profunda depressão difícil de curar. Ela perde o prazer de viver. Se isso acontecer durante longo período, estabelece-se um campo magnético favorável à proliferação de germes, e a doença fatalmente acontecerá. Quanto mais dramática ela for, mais lenta e dolorosa será sua enfermidade. Quando vamos compreender que são nossas atitudes que formatam e alimentam as energias que materializam os fatos em nossa vida?
A reencarnação e a morte são mudanças naturais. Quantas vezes já passamos por elas? Nossa cultura materialista tem dramatizado a morte excessivamente. Nos fixamos na decomposição física, na transformação da matéria, esquecidos de que ela, sem o espírito, é nada. É ele quem vitaliza temporariamente os elementos físicos de nosso mundo, que se desagregam quando ele se afasta. (...)
Chega de vitalizar a morte! Ela não passa de um momento de transformação, porque só existe vida. Só vida, sempre vida, por toda parte. O corpo é um uniforme que vestimos para frequentar a escola do mundo, onde vamos renovar valores, alargar a consciência, desenvolver potenciais, adquirir lucidez.
Quem morreu não precisava mais do uniforme. Seu tempo acabou e ele voltou para o plano de origem, onde vai repensar, guardando ainda as impressões do estágio que fez na Terra.
Nessa reciclagem, tudo conta. Os pequeninos fatos do dia-a-dia, as frustrações e as vitórias, os acertos e os enganos. É um processo natural onde aos poucos ele irá amadurecendo. Quando for oportuno, poderá voltar aqui. Modificado. Mais experiente, em novas oportunidades.
Se você perdeu um ente querido, liberte-o agora! Ele continua vivo, livre, leve e anseia pela felicidade. Não o detenha no sofrimento, nem dificulte mais seu caminho. Deixe-o ir. A vida é perfeita e tudo está certo como está.
A morte é uma ilusão. Não se deixe enganar. mande embora a tristeza. Vamos todos celebrar a vida! Revenrenciar a beleza e a perfeição do universo. Coragem! Você pode e vai conseguir. Seu parente desencarnado agradece, feliz.
Zibia Gasparetto
Hoje faz um ano que minha mãe fez a sua última viagem. Mas não será um dia de choro, de tristeza. Farei diferente: de dentro do meu amor e da minha saudade sem fim, quero enviar a ela energias nutritivas de confiança no futuro, de erguimento e de paz. Ao invés de lágrimas, mentalizarei flores, gestos de carinho, votos de felicidades. Até breve, mãe!
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Sábado, Junho 21, 2003
Voce está certa?
As religiões, a sociedade convencionaram o certo e o errado, utilizando critérios próprios. Quem obedece a esses critérios é catalogado como pessoa equilibrada e é aceito pela maioria.
Diante da conquista de novos conhecimentos, essa avaliação vai se modificando. A verdade vai aparecendo aos poucos.
Copiamos os modelos intituídos porque desejamos ser aceitos e amados pela maioria. Acreditamos que isso seja valorização. Mas o que fazer com nossos sentimentos que não se encaixam nesses papéis? Ignorá-los? Sufocá-los para que ninguém perceba que somos diferentes?
Temos medo de ser diferentes. O que tememos já está acontecendo. Nós somos diferentes. Cada um é um. Não existem duas pessoas iguais. Você morre de medo de não ser "certinha"?
Nesse caso, em tudo que vai fazer há sempre um severo juiz dentro de sua cabeça, avaliando se cada ato seu está ou não dentro do papel.
--Será que isso está certo?
O medo de fazer algo "errado" é tão grande que há pessoas que não fazem nada sem antes consultar os outros. O pai, a mãe, o irmão mais velho, o amigo inteligente, o guru, os espíritos, o psicólogo, o tarô, a cartomante. E como cada um é um e tem seu próprio modo de perceber as coisas, os conselhos serão tantos e tão diferentes que, no fim, a indecisão fica maior.
Sempre que você pergunta aos outros o que deve fazer, está se classificando como incapaz. Isso é uma grande ilusão. Por ser diferente, você não é inferior a ninguém. Não lhe falta nada. Você é só você. tem seu próprio modo de sentir e de fazer as coisas. É tão capaz quanto qualquer pessoa.
O problema é que você não acredita, não confia em si e dessa forma abdica de seu poder de realização.
Pergunte-se: você sempre fez o que seu coração pediu ou o que seu juiz lhe dizia que deveria ser o certo? Quando foi contra seu coração, lembra-se da sensação de vazio e de aperto no peito que sentiu? Pois é. Esse aperto no peito é indício seguro de que você sufocou seus verdadeiros sentimentos, se anulou em favor do papel social.
Quando não somos verdadeiros, a insatisfação aparece. Todas as pessoas que não se acreditam boas tentam compensar. Como sentem vergonha do que pensam ser, fingem ter virtudes que ainda não possuem mas que gostariam de ter. Para elas, errar seria o caos. E como "sabem" que estão sendo falsas, não se respeitam e perdem a dignidade. Ninguém pode ser feliz se sentindo assim.
Foram aqueles que saíram do "padrão" e das "regras" do convencional que acionaram o progresso do mundo sem se preocupar com o certo ou o errado. O próprio Jesus Cristo, se tivesse entrado nos padrões sociais da época, teria fracassado em sua missão.
O carisma é a expressão da alma. Quando a alma fala, sua essência espiritual e divina se manifesta, e a pessoa brilha, conquista, aparece. É nela que reside sua força e poder. Negá-la é preferir a obscuridade.
Se você quer ser feliz, mande embora seu "severo juiz", ouça seu coração. Valorize o que sente e seja uma pessoa verdadeira. Assuma seus sentimentos. Só diga sim depois de sentir o que realmente quer. Caso contrário, não tenha receio de dizer não. Deixe de contar seus problemas aos outros e perguntar o que deve fazer. Confie em seus critérios. Você pode! Experimente.
Extraído do livro "Conversando Contigo", Zibia Gasparetto
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Quarta-feira, Junho 18, 2003
A espontaneidade é inocente, nada que seja feito nesses termos pode causar arrependimento ou ser considerado nocivo. A espontaneidade revela o espírito, cuja intenção é dissolver tudo que impeça o amor e a verdade.
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Terça-feira, Junho 17, 2003
"Saudade é um parafuso
que dentro da rosca cai,
só entra se for torcendo
porque batendo não vai,
e quando enferruja dentro,
nem destorcendo não sai".
Candéia, seringueiro do Acre
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Segunda-feira, Junho 16, 2003
Envolva-se com a vida intensamente, não para irritar-se ou invocar brigas e discussões, mas para atualizar o espírito de criança que, levando a vida muito a sério, brinca eternamente nos campos infinitos do universo.
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Domingo, Junho 15, 2003
DIFICULDADES
Será justo pensar o que seria de nós sem as ocorrências desagradáveis.
Decerto não se pedirá que a vida se faça um campo de aflições no pressuposto de que isso nos resolverá os probelmas.
Necessário, porém, considerar que a maior parte dos acontecimentos felizes apenas nos acomoda em satisfação quando as dificuldades nos fazem raciocinar.
O corpo do recém-nato se fosse conservado em redoma, a pretexto de fugir à provações, acabaria em monstruosidade.
Espírito que se isolasse em contentamento egoístico, sob a desculpa de evitar o erro, terminaria em lamentável fenômeno de infantilização.
Há os que se fecham em si acossados pela própria vaidade e os que se interiorizam para exteriorizar mais amor desinteressado ao próximo. Uma atitude é tristeza, outra alegria; uma doença, outra prosperidade espiritual.
Estamos convocados pela sabedoria da vida a tudo compreender e valorizar.
Agradecer as vantagens, mas aproveitar os empeços.
Dificuldade cria transformação e toda transformação favorece a aquisição de experiência se for construtivamente utilizada.
O que recebemos como desilusão para a alma, pode ter o efeito da cirurgia por vezes indispensável à defesa do corpo. Lágrimas de alguns instantes lavam incertezas na mente como a chuva desfaz a sombra da atmosfera.
Tudo é lição no clima do espírito. O fato de cada hora é novo decantador da alma. O desespero nunca remediou qualquer situação; piora sempre todas as causas e todas as consequências.
Compara-se o tempo a rio que corre incessante para o estuário da eternidade. Mágoas, ressentimentos e desânimos assemelham-se a ensinamentos que viciamos ou perdemos, lembrando águas roubadas à correnteza das horas e convertidas em agentes de decomposição na tristeza do pântano.
Empreguemos os obstáculos do caminho na edificação da felicidade, como se ajustam pedras na construção.
Não nasceu a inteligência para estirar-se sob a hipnose da alegria deficitária do "eu" sem o "tu".
Todos fomos criados pela Divina Sabedoria para sermos felizes com os outros e para isso é imperioso aprender, produzir e pensar.
Kelvin Van Dine, mensagem recebida por Waldo Vieira
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Sábado, Junho 14, 2003
Seja amigável, veja as pessoas com bons olhos. Desconfiar delas planta sementes ruins, que florescerão mesmo não tendo nenhum motivo para fazê-lo. Por que não plantar confiança e desfrutar os resultados?
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Os ressentimentos amarram nossa alma ao passado, tornando-se ela incapaz de viver bem ou ser feliz. É assim que o destino destrói e irradia uma influência nefasta. É propício livrar nossa alma do passado e viver em função do futuro.
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Quinta-feira, Junho 12, 2003
VIDE BULA
É para ser usado
diariamente.
Quanto maior a dose, melhor fica o paciente.
De preferência, antes, durante
e depois das refeições,
para que não cause alterações
no comportamento.
Que possa servir como linimento
nas decepções
e anti-séptico
nas afecçoes do cotidiano.
para ser consumido ano após ano
como analgésico,
antipirético,
antiinfeccioso.
Além do mais, desce gostoso
num sabor totalmente
individualizado.
Causa por vezes
efeitos colaterais
tais como: dor no peito, palpitações,
e uma sensação sem jeito
conhecida como "saudade".
Dor ardida, quando aperta.
Ainda não foi descoberto
atenuante para tal enfermidade.
O tratamento em questão
só tem contra-indicação
a quem tem medo de viver
e prefere permanecer
estagnado;
aquele que escolhe ficar inalterado
para não arriscar a contusão.
Caso contrário,
é eficaz, contumaz, revigorante
a toda e qualquer pessoa.
E não é à toa
que anda escasso na praça,
pois que é estimulante
e totalmente de graça:
amante.
Flora Figueiredo
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Terça-feira, Junho 10, 2003
É propício focalizar a consciência nos melhores frutos que a vida oferece. Em vez de enfatizar o que funciona mal, as injustiças, a barbárie travestida de cultura ou a miséria, usar o tempo para intervir na realidade e iluminá-la. A consciência não é uma percepção passiva apenas, ela é um instrumento útil para intrometer-se na vida mudando-a de acordo com a intenção e vontade. A consciência humana transfigura matéria bruta em obras excelentes: máquinas, tecnologia, filosofia, religiões...A consciência nos torna fatalmente responsáveis por tudo que acontece ou deixa de acontecer, pois ela expressa a força de vontade com que nos aplicamos à vida ou à indolência com que nos entregamos ao destino miserável.
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O amor parece fraqueza porque não luta por resultados imediatos. O amor se mostra forte a longo prazo, quando as lutas por questões mesquinhas se revelam completamente insignificantes. De que lado você prefere ficar?
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Segunda-feira, Junho 09, 2003
Queira mais, muito mais. É melhor pecar pelo excesso de vontade de realizar do que pela timidez dos movimentos. A timidez é uma ambição covarde, que se antecipa negativamente ao futuro e se retraí temendo a frustração.
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Por mais que não você não saiba o que fazer, ou que decida nada fazer, o universo em que você vive continua seu mágico movimento e, sem querê-lo, você participa da coreografia. Quando se quer participar dá tudo mais certo.
Porém, é imprescindível,reconhecer as ilusões, pois assim como o universo conspira pela realização dos sonhos, faz o mesmo para desintegrar as ilusões.
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Domingo, Junho 08, 2003
VOCE SABE NAMORAR?
Sonia Rodrigues
Amarilys pensava que sabia. Do último Dia dos Namorados para cá, descobriu que namorar é um ofício que se aprende todos os dias. E que se erra muito, mesmo com a melhor das boas intenções.
O que é um namoro? É o exercício da arte da conquista ou é Nada. Todo namoro começa de uma atração forte e enfrenta, em algum momento, a seguinte contradição: é improvável que duas pessoas desejem uma à outra o tempo todo na mesma intensidade e da mesma forma.
A que lugar essa contradição nos arrasta? Ao espaço do namoro e da conquista sempre. Para habitar esse espaço é preciso manter, como escravos, três inimigos da beleza dos sentimentos: o Hábito, a Insegurança e a Tristeza.
As leitoras e leitores de Amarilys já ouviram dizer que Afrodite, a deusa grega da beleza, escravizava o Hábito, a Insegurança e a Tristeza? Não? Pois escravizava. Por isso, mantinha a pele radiosa, os olhos brilhantes, o corpo gostoso numa época em que não se conhecia as maravilhas da cosmética moderna.
Para freqüentar as rodas dos bem amados é preciso que se preste atenção a quem se ama. Prestando atenção, numa observação sensível e sensata, nossas chances de dar amor numa medida mais exata possível aumentam muito. Exata ao tamanho e a forma do que o objeto do nosso sentimento espera, precisa, deseja. Nem mais, nem menos, se possível. Isso é muito difícil e namoros fracassam porque, em geral, a gente dá mais ou dá menos. Porque segue apenas o nosso desejo ou se confunde em compreender qual é o desejo de nossos namorados ou namoradas.
Amarilys já teve o coração partido por não saber entrelaçar o seu momento com o momento do namorado, já chorou por namoros que caíram no hábito e na tristeza, já perdeu conquistas por insegurança.
O pior de todos os namoros, porém, foi o namoro que não aconteceu por falta de coragem ou por maldade de um dos lados de manter o outro na fita, sem paixão e sem beijo, só pela vaidade de ter um escalpo de apaixonado a exibir como troféu.
Talvez este sentimento de que Namorar é preciso, mas com aperfeiçoamento constante, se deva ao lançamento do livro Como fazer sexo ou amor sem se machucar muito. A síntese do consultório sentimental de Amarilys fez choveram mensagens no site www.amaremuitobom.com.br. Gente contando seus casos de namoros mal sucedidos, das lágrimas derramadas, dos casamentos que caíram na pasmaceira e tudo por quê? Porque não basta saber beijar de língua, é preciso praticar o namoro.
As leitoras e os leitores do Feminino pensam que conhecem alguém bem resolvido a ponto de sentar sobre os louros de alguma conquista? Não conhecem não. Quando a gente tem um namoro 5.0 e faz um upgrade para marido 1.0 ou esposa 1.0 precisa não perder de vista a atualização constante dos aplicativos Romance 9.5 e Sexo Bom 10.10 para o coração não começar a ter queda de energia. (...)
Extraído do jornal "O Estado de São Paulo", edição de 08 de junho de 2003
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Sexta-feira, Junho 06, 2003
É TEMPO DE RECUPERAR, ENQUANTO HÁ TEMPO
Danuza Leão
Não há nada melhor do que recuperar uma coisa que se achava perdida; muito melhor, aliás, do que ter uma coisa nova.
Um suéter, por exemplo, que você comprou há anos, que sempre adorou, e um dia descobre que está com um furo bem na frente, num lugar que não dá para disfarçar. Jogar fora, nem pensar: existem coisas que nos acompanham pela vida toda e não adianta ter dinheiro para comprar outra, até mais bonita, até mais luxuosa, até mais tudo. É aquela que se quer, e pronto.
Aí, um dia, alguém diz para você que conhece uma cerzideira invisível - espécie em extinção, aliás -, capaz de fazer um trabalho perfeito e recuperar seu suéter tão amado. Você corre atrás, ela diz que tem remédio, sim, e uns 20 dias depois - essas coisas demoram - vai buscar e sente uma felicidade que nenhum outro, novo, chiquérrimo e caríssimo seria capaz de proporcionar. Que sensação boa. Que felicidade.
Outra profissão preciosa é a do faz-tudo. O faz-tudo, como o nome diz, faz tudo, até milagres. Recupera uma foto antiga, uma boneca quebrada, um cinzeiro que não tem nenhum valor, mas que para você é tu-do, aquele porta-retratos sem o qual a vida perderia muito do seu encanto.
Os faz-tudo, como as cerzideiras, estão desaparecendo porque hoje as coisas são tão sem valor, tão descartáveis, que eles não são mais necessários.
Alguém pensaria em mandar consertar uma boneca de plástico, ou mandar cerzir uma camiseta de fio sintético? Claro que não. Para valer a pena procurar, encontrar, esperar e se arriscar a pagar um alto preço, só quando se trata de alguma coisa que valha muito a pena.
É como com as amizades; quando elas foram verdadeiramente importantes e um erro grave foi cometido, mesmo aquele que você pensa que não tem solução, vale sempre a pena tentar reparar. Mas como? Telefonar e pedir desculpas? Mandar um recado, uma carta? E o medo?
E se a outra pessoa não compreender nem aceitar seu arrependimento, não responder, ou disser que não quer nem saber? Ou pior: se ela, naquele momento tão difícil, olhar de um jeito frio, gelado, o que se faz?
Pode parecer um gesto de grandeza se arrepender e dar o passo para reparar uma falta, mas não é bem assim: a verdadeira grandeza é acolher esse impulso de reparação com um olhar doce, um abraço sincero, sem voltar ao tema, sem discutir o que houve, apenas compreendendo que todos somos capazes de passar por maus momentos, e que depois fica difícil; aceitando e recebendo as desculpas que você nem teve coragem de expressar em palavras, com o coração aberto.
Esses momentos são raros, até porque certos atos são imperdoáveis, e quando existem outras razões que não as muito verdadeiras e muito profundas para um arrependimento, melhor deixar tudo do mesmo jeito. Não há tempo a perder com o que não vale a pena, e ninguém está neste mundo para fingir, mentir, enganar - não as pessoas que valem a pena.
Se você pensar bem, temos todos muitos nós para serem desatados; uns sérios, outros bobos, mas que precisam, to-dos, ser desfeitos. O vestido que está dobrado no armário há meses, para fazer a bainha; a sopeira que está com a tampa quebrada e que você nem joga fora nem manda consertar, a bolsa que não usa há anos e que não dá para quem poderia ficar muito feliz com ela.
E tem os amigos; aqueles a quem você nunca mais telefonou porque a vida é assim mesmo, de quem se lembra com freqüência, mas eles não vão saber nunca, porque não podem adivinhar. E os outros amigos a quem você feriu, às vezes por leviandade, outras por distração, outras porque naquele tempo não sabia das coisas direito, outras porque estava sofrendo muito, mas ninguém tem obrigação de entender. Se esses nós forem se desatando dá para a vida ficar melhor, sabia?
Para isso não é preciso esperar o primeiro dia do ano, o primeiro dia do século, o primeiro dia do milênio; você pode começar já.
E se tiver a sorte de encontrar um coração doce e generoso que te receba, a única tristeza poderá ser pensar: "Mas por que eu esperei tanto tempo?" A resposta pode ser "porque eu ainda não era capaz"; ou porque não sabia que quando se é sincero de verdade, tudo acaba dando certo - mesmo que aparentemente não dê.
E o tempo, companheira, é cada vez mais curto.
Extraído do jornal "O Estado de São Paulo", edição de 05 de julho de 1999
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O planeta Terra tira um diamante de rara beleza do bruto carvão e para isso imprime muita pressão. Por que seria diferente conosco? A beleza e a criatividade decorrem das duras condições da existência.
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Quinta-feira, Junho 05, 2003
As tormentas ocorrem para aliviar a atmosfera. Isso acontece tanto na natureza quanto no mundo emocional. Contudo, não há de se enfatizar demais as tormentas, porque assim elas perderiam sua eficiência.
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Quarta-feira, Junho 04, 2003
COMPAIXÃO E AÇÃO
Quando estamos lutando contra a depressão, a amabilidade e a compaixão parecem-nos mais difíceis que água no deserto. Estamos sentindo raiva e medo, estamos julgando tudo. Mal temos energia para ser amáveis conosco, quanto mais com os outros. Ao mesmo tempo, é difícil acreditar que alguém possa oferecer-nos amabilidade. Sentimo-nos abandonados por nós e pelo mundo.
Mesmo assim, a capacidade da compaixão permanece em nós. Na verdade, as dificuldades que enfrentamos na depressão podem levar-nos a uma compreensão mais profunda da vida e também a maior compaixão pelos outros e por nós.
Quando vemos o quanto a vida traz de sofrimento a todos os seres, começamos a achar que o sofrimento que há no mundo já é o bastante. Perguntamo-nos por que haveríamos de torná-lo maior. A percepção crescente da impermanência da vida também nos permite maior compaixão por nós e por nossos semelhantes. Assim a compaixão surge da compreensão mais plena de nós mesmos e da naturerza de nossa relação com este mundo.
Ao tornar-nos mais lentos, a depressão nos permite o contato com os sentimentos mais tenros e ternos que temos em nós mesmos e pelos outros. Se nos conscientizarmor do que está acontecendo conosco, a semente da compaixão crescerá em nossa vida. Então a compaixão que naturamente existe em nós pode vir à tona, pronta para entrar em ação em nossos relacionamentos e atividades. (E, para não ficar simplesmente no nível da percepção, nossa compreensão e compaixão precisam orientar nossos atos.)
Apesar de ser um clichê, a frase "Precisamos ter carinho por nós mesmos antes de ter carinho por alguém" é mais verdadeira que nunca na depressão. Antes de começarmos a ver além das sensações de falta de valor próprio e de ódio contra nós que sentimos na depressão, pouco amor teremos condições de oferecer a quem quer que seja.
As trevas da depressão dão-nos a impressão de que nosso sofrimento jamais terá fim. Se já é difícil acreditar que podemos ajudar a nós mesmos, quanto mais ajudar a outra pessoa. No entanto, é na depressão que o serviço aos outros se torna ainda mais importante.
Não precisamos pensar que para ajudar os outros temos de realizar grandes feitos. Cada palavra amável e cada ato de ajuda servem para fazer deste mundo um lugar melhor. As ressonâncias provocadas por um ato assim têm efeitos que podem permanecer para sempre além de nosso conhecimento.
Autor desconhecido
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Terça-feira, Junho 03, 2003
Quando te encontrares numa situação angustiosa em que tudo parece conjurar contra ti, de modo a não mais poderes agüentar-te, não te rendas, porque é o momento em começa o refluxo da maré para o triunfo.
Laurence Sterne
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Segunda-feira, Junho 02, 2003
Confiança
Plainando no ar, inconscientemente, a ave colorida confia...
Desabrochando ante a luz, o botão confia e desata perfume, beleza, pólen e vida...
Nas cambiantes da vida só o homem se atormenta, buscando não sabe o que, enquanto, sem o notar, crê e confia...
Crê no automatismo orgânico e dele não se dá conta.
Confia que despertará amanhã após a noite de sono e nada lhe atesta que o conseguirá...
Assinala compromissos a largos prazos e crê que logrará superá-los, apesar de segurança alguma lhe afirmar o êxito.
Confia no pão que ingere, para o "milagre" da digestão...
Confia na água que sorve sem a qual não pode sobreviver, mas não duvida da sua potabilidade.
Confiança é sol interior.
Fé é luz divina emboscada na mente a verter esperança para o coração sedento de amor.
Alma peregrina do amor e da beleza, confia!
Se os teus pés doem no roteiro áspero -- avança!
Se tens sede de ternura -- ama!
Se desejas vencer a amargura e a aflição -- confia!
Confiança é presença de Deus no coração vertendo bênçãos para a mente em ardência de agonia.
Eros, mensagem recebida por Divaldo Pereira Franco
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Andar de mãos dadas com a alegria devia ser o único compromisso humano. Contudo, a alegria solitária é uma ilusão, porque a verdade dessa condição é a firme vontade de compartilhá-la com a maior quantidade de pessoas
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